Um levantamento realizado a partir de dados da produção suinícola do Rio Grande do Sul apontou potencial para ampliação do uso de biodigestores no tratamento de resíduos animais e na produção de biogás. O estudo utilizou informações da Declaração Anual de Rebanho da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) referentes a 2025 e avaliou mais de 4,8 mil propriedades distribuídas em 288 municípios gaúchos.A análise foi conduzida pelo Instituto 17, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, com apoio de instituições ligadas ao setor agropecuário e à pesquisa. O objetivo foi mapear sistemas de manejo de dejetos da suinocultura, estimar emissões de metano associadas à atividade e identificar possibilidades de aproveitamento energético por meio da produção de biogás.Segundo os dados apresentados, atualmente 29 propriedades rurais no estado operam com biodigestores para tratamento de dejetos suínos. Juntas, essas unidades processam cerca de 523,6 mil metros cúbicos de resíduos por ano. A estimativa é de que esses sistemas evitem a emissão de aproximadamente 17,6 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2) anualmente.O levantamento também identificou outras 254 propriedades com capacidade para implantação de biodigestores individuais, considerando o volume de resíduos gerados e o tamanho dos plantéis. Caso esses sistemas sejam implementados, a projeção é de redução adicional superior a 255 mil toneladas de CO2 por ano.De acordo com o coordenador do Plano ABC+ RS, Jackson Brilhante, os dados devem contribuir para o acompanhamento das metas estaduais relacionadas ao manejo de resíduos da produção animal.“Os números mostram que avançamos, mas ainda há espaço significativo para ampliar a adoção da tecnologia no Estado”, afirmou.O estudo também avaliou os modelos de manejo utilizados nas propriedades e apontou possibilidades de ampliação da produção de biogás em diferentes regiões do estado. Segundo a coordenadora técnica da pesquisa pelo Instituto 17, Deisi Tapparo, as informações podem auxiliar na definição de estratégias voltadas ao manejo de resíduos, bioenergia e redução de impactos ambientais em áreas rurais.Ela destaca que os dados permitem ainda analisar possíveis impactos em bacias hidrográficas e identificar regiões com maior potencial para implementação de sistemas de biodigestão.O representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cléber Araújo, afirmou que o levantamento poderá contribuir para o monitoramento nacional do Plano ABC+, política pública voltada à adoção de práticas sustentáveis e de baixa emissão de carbono na agropecuária brasileira.“Esse reforço da parceria visa fornecer informações inéditas que fortalecerão o monitoramento do Plano ABC+. Acreditamos que esses dados são valiosos e contribuirão para consolidar o acompanhamento do projeto no âmbito nacional”, declarou.__________________________________________
Para acompanhar discussões sobre geração distribuída e inovação no setor elétrico, participe da 32ª Edição do Fórum Regional de Geração Distribuída – Sul/Sudeste 2026, em Curitiba (PR), de 29 a 31 de julho de 2026. Garanta sua vaga agora e conecte-se ao futuro da energia.