O Rio Grande do Sul acaba de conquistar um marco histórico para o setor de energias renováveis. A primeira usina do país autorizada a produzir etanol hidratado a partir do trigo começou a operar comercialmente em Santiago, no Vale do Jaguari, no ultimo mês. O empreendimento, da CB Bioenergia, simboliza um avanço tecnológico e estratégico para o agronegócio e para a transição energética brasileira.Com investimento total de R$ 100 milhões, sendo R$ 30 milhões financiados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul por meio de linhas de incentivo à inovação industrial, a planta tem capacidade inicial de produção de 43 mil litros de etanol por dia. A autorização para o início das operações foi emitida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, após a concessão da licença ambiental pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler e pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura.“A produção de biocombustíveis abre uma nova perspectiva ao agronegócio no Rio Grande do Sul, o que irá impactar positivamente a nossa economia. O futuro no campo passa muito pelas culturas de inverno”, destacou o diretor de Operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior. Além do trigo, a usina poderá utilizar triticale, cevada e milho na produção do biocombustível. O diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, reforçou que o projeto vai além do aspecto econômico. "Trata-se de um projeto que sinaliza para a importância da produção de biocombustíveis não apenas sob o olhar econômico, mas um passo em favor da produção sustentável e da transição energética."Subprodutos e economia circularAlém do etanol, a unidade produzirá álcool neutro utilizado nas indústrias farmacêutica e cosmética e subprodutos destinados à fabricação de ração animal, o que contribui para a eficiência energética e a redução de resíduos industriais. Essa característica coloca a usina dentro de um modelo de economia circular, integrando diferentes cadeias produtivas e maximizando o aproveitamento dos recursos agrícolas.O BRDE já havia promovido um debate sobre o potencial das culturas de inverno na produção de biocombustíveis, especialmente o trigo e a cevada. Atualmente, o Rio Grande do Sul utiliza apenas cerca de 20% do potencial produtivo na segunda safra, o que indica amplo espaço para expansão do setor.Potencial do Rio Grande do Sul para a bioenergiaO estado tem se consolidado como uma fronteira promissora na geração de bioenergia. Além do novo projeto em Santiago, o Rio Grande do Sul reúne condições ideais para diversificação da matriz energética:Alta produtividade agrícola em culturas como trigo, milho e soja, que podem servir como base para biocombustíveis e biomassa;Infraestrutura consolidada de transporte e logística, que facilita o escoamento da produção para o restante do país;Políticas públicas de incentivo à inovação e sustentabilidade, como as linhas de crédito do BRDE e programas estaduais de eficiência energética;E uma rede de pesquisa e desenvolvimento agroindustrial, que integra universidades, cooperativas e empresas privadas.De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado é o maior produtor nacional de trigo, respondendo por cerca de 50% da colheita brasileira. Essa característica torna o Rio Grande do Sul um candidato natural à liderança na produção de etanol de segunda geração, feito a partir de culturas não convencionais e resíduos agrícolas.O avanço da bioenergia também traz impactos diretos na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e no cumprimento das metas climáticas brasileiras no âmbito do Acordo de Paris. Estima-se que a substituição parcial da gasolina por etanol de trigo possa reduzir em até 70% as emissões de CO2 associadas ao transporte rodoviário.__________________________________________
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