O uso de biocarvão no cultivo de Agave sisalana pode aumentar em até 60% a biomassa da planta, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas. O resultado representa um avanço relevante para tornar o agave mais viável na produção de biocombustíveis e no sequestro de carbono, especialmente em regiões semiáridas.Apesar de seu potencial, o agave ainda enfrenta um entrave importante: o crescimento inicial lento, que pode levar até três anos. A pesquisa buscou justamente reduzir esse tempo com o uso de biocarvão, material rico em carbono obtido a partir da queima controlada de biomassa, processo conhecido como pirólise.Os testes foram realizados com biocarvão produzido a partir de três fontes distintas: cana-de-açúcar, café e o próprio agave. O objetivo foi avaliar como cada tipo influencia o solo, a microbiota e o desenvolvimento da planta. Os resultados indicaram que doses moderadas, entre 5% e 10%, são as mais eficazes, promovendo maior atividade microbiana e melhor disponibilidade de nutrientes.Além do impacto no crescimento vegetal, o biocarvão também se destaca pelo potencial ambiental. Ao ser incorporado ao solo, ele contribui para o armazenamento de carbono por longos períodos, sendo considerado uma das rotas mais promissoras para mitigação das mudanças climáticas.O estudo também reforça que os efeitos do biocarvão variam conforme o tipo de solo. Em regiões tropicais e solos mais pobres em matéria orgânica, como os do semiárido brasileiro, os benefícios tendem a ser mais expressivos. Já em solos ricos em carbono, os ganhos são menos perceptíveis.Outro ponto relevante da pesquisa envolve desafios tecnológicos. No caso do agave, o processo de pirólise pode gerar resíduos que dificultam a operação de reatores, exigindo adaptações para viabilizar a produção em escala. Ainda assim, os pesquisadores já vislumbram a criação de biorrefinarias capazes de aproveitar integralmente os resíduos da planta.Hoje, o Brasil lidera a produção mundial de sisal, com cerca de 93 mil toneladas anuais, segundo o IBGE. Esse cenário fortalece o potencial do agave como matéria-prima estratégica para a transição energética.Além da produção de etanol e biogás, os pesquisadores destacam o valor econômico do dióxido de carbono capturado e dos créditos de carbono gerados pelo uso do biocarvão. Em um mercado em expansão, esses ativos podem agregar ainda mais competitividade à cadeia produtiva.A pesquisa integra o programa Brazilian Agave Development (Brave) e conta com apoio de instituições públicas e privadas, incluindo a Shell Brasil, no âmbito de investimentos em pesquisa e desenvolvimento regulados pela ANP.Combinando ganhos agrícolas, ambientais e econômicos, o uso do biocarvão no cultivo do agave desponta como uma solução estratégica para o semiárido brasileir, unindo inovação científica e sustentabilidade em uma mesma agenda.Fonte: Biomassa BR com informações da Agência FAPESP__________________________________________
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