Regulamentação do biogás pode impulsionar transição energética e justiça climática no Brasil

Image

Estudo propõe política nacional para ampliar uso do biogás com foco ambiental e inclusão social

A regulamentação do biogás desponta como um dos caminhos estratégicos para enfrentar o aquecimento global e ampliar o uso de fontes renováveis no Brasil. É o que aponta uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Uberlândia, que propõe a criação de uma política nacional voltada ao uso sustentável desse biocombustível.

O estudo, conduzido pela pesquisadora Raquel Cunha no Programa de Pós-Graduação em Biocombustíveis, destaca que o país ainda carece de diretrizes unificadas para o setor. Atualmente, a regulamentação ocorre de forma fragmentada, com iniciativas estaduais, o que limita o avanço da cadeia produtiva.

Produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como restos de alimentos e dejetos animais, o biogás é considerado uma alternativa limpa aos combustíveis fósseis. O processo ocorre em biodigestores, onde bactérias realizam a digestão anaeróbica da matéria orgânica, gerando um gás que pode ser utilizado para produção de energia elétrica, combustível veicular e uso industrial.

Além do potencial energético, a pesquisa destaca o papel do biogás na mitigação de emissões de gases de efeito estufa, já que impede a liberação direta desses gases na atmosfera.

Regulação como eixo central

Segundo o estudo, a ausência de uma legislação nacional mais robusta representa um dos principais entraves para o crescimento do setor. A proposta apresentada busca equilibrar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.

A pesquisadora defende que a regulamentação deve estabelecer limites claros para a exploração econômica, evitando impactos ambientais negativos e garantindo que os benefícios da produção energética sejam compartilhados com a sociedade.

Outro ponto central é o conceito de justiça climática. A pesquisa argumenta que populações mais vulneráveis são as mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas e, por isso, devem ser incluídas nos ganhos gerados por novas matrizes energéticas — especialmente aquelas que contribuem diretamente com a produção de biomassa.

Desafios e Expectativas

Apesar do potencial, o avanço do biogás ainda enfrenta resistência, principalmente devido aos interesses econômicos ligados aos combustíveis fósseis. Além disso, a estrutura necessária para expansão da produção exige investimentos significativos e planejamento de longo prazo.

O estudo também aponta que o Brasil possui uma base favorável para o desenvolvimento do setor, tanto pela disponibilidade de resíduos orgânicos quanto pela experiência acumulada em biocombustíveis.

Nesse cenário, a regulamentação surge como peça-chave para transformar o biogás em uma solução viável em larga escala, contribuindo não apenas para a transição energética, mas também para um modelo mais sustentável e socialmente equilibrado de produção de energia.


__________________________________________


Para acompanhar discussões sobre geração distribuída e inovação no setor elétrico,

participe da 31ª Edição do Fórum Regional de Geração Distribuída – Sul/Sudeste 2026, em Curitiba (PR), de 29 a 31 de julho de 2026.



Garanta sua vaga agora e conecte-se ao futuro da energia.


Gostou do Conteúdo, Cadastre-se já e receba todas as notícias de BiomassaBR no seu email cadastrado

Compartilhe esta noticia: