O Governo do Estado de São Paulo inaugurou a maior planta de biometano do Brasil no município de Paulínia, no interior paulista. A unidade amplia a infraestrutura de produção desse combustível renovável no estado e marca mais um passo na expansão das energias limpas no país. A cerimônia contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.Operada pela OneBio, a planta possui capacidade nominal de produção de 225 mil metros cúbicos de biometano por dia, volume suficiente para abastecer mais de mil ônibus urbanos. Neste primeiro momento, a produção ocorre com cerca de metade da capacidade, com expectativa de atingir operação plena ao longo de 2026.A unidade foi instalada em um ecoparque que substituiu um antigo aterro sanitário. O biometano é obtido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos sólidos urbanos. O processo permite transformar lixo em combustível renovável utilizado por indústrias e sistemas de transporte.Parceria empresarial e fornecimento para a indústriaO empreendimento resulta de uma parceria entre a Edge, responsável por 51% do investimento, e a Orizon Valorização de Resíduos, com 49%. O biometano produzido já está conectado à rede de gás canalizado e será comercializado pela Edge.Entre os contratos firmados está o fornecimento do combustível renovável para uma unidade da Unilever localizada em Valinhos. O objetivo é reduzir as emissões de carbono nos processos produtivos e nas operações logísticas da empresa.A planta recebeu licença ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produzir e comercializar o combustível.São Paulo concentra metade da produção nacionalCom a nova unidade, o estado passa a concentrar nove das dezenove plantas de biometano em operação no Brasil. A capacidade instalada chega a cerca de 700 mil metros cúbicos por dia, o que corresponde a aproximadamente metade da produção nacional.Outras oito unidades ainda estão em processo de autorização pela ANP. A expectativa é que a produção ultrapasse 800 mil m³ por dia até o final de 2026.O avanço do setor também está ligado a políticas públicas voltadas à ampliação da oferta de energias renováveis. Uma das medidas recentes foi a regulamentação que permite a conexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem impacto tarifário para outros consumidores, com custos assumidos pelos fornecedores por meio da tarifa TUSD-Verde.A iniciativa faz parte das metas da Política Estadual de Mudanças Climáticas e do Plano Estadual de Energia 2050, que apontam o biometano como alternativa para ampliar a participação de fontes renováveis e reduzir emissões de gases de efeito estufa.Potencial econômico e geração de empregosEstudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), elaborado com apoio técnico da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, aponta que o potencial de produção de biometano em São Paulo pode chegar a 6,4 milhões de metros cúbicos por dia.Esse volume poderia gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, além de estimular uma nova cadeia industrial ligada à produção de equipamentos e serviços para o setor.A pesquisa também indica que a substituição parcial do diesel por biometano no transporte pode reduzir em até 16% as emissões de carbono.Grande parte desse potencial está no setor sucroenergético, responsável por mais de 80% da capacidade produtiva estimada. Resíduos da produção de açúcar e etanol — como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha da cana-de-açúcar — podem ser utilizados na geração de biogás e posteriormente convertidos em biometano.Combustível renovável ganha espaço no paísO biometano pode substituir o gás natural em processos industriais, ser utilizado na produção de fertilizantes ou abastecer veículos leves e pesados.Além de reduzir emissões, o combustível contribui para a destinação adequada de resíduos urbanos e agroindustriais, transformando materiais que antes seriam descartados em fonte de energia.Com novos investimentos e avanços regulatórios, o biometano passa a ocupar espaço crescente na matriz energética brasileira e no conjunto de soluções voltadas à redução das emissões no setor de energia e transporte.__________________________________________
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