Brasil e Índia deram um novo passo na cooperação internacional voltada à bioenergia. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA) assinaram, em Nova Délhi, um Memorando de Entendimento (MoU) que formaliza a colaboração técnica e institucional entre os setores sucroenergéticos dos dois países.O acordo estabelece uma plataforma permanente de intercâmbio de conhecimento e cooperação tecnológica em áreas como etanol, biogás, combustível sustentável de aviação (SAF) e outras soluções de baixo carbono. Também prevê coordenação em fóruns internacionais e desenvolvimento conjunto de projetos, com foco em reduzir emissões e ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética global.A iniciativa reforça a parceria entre os dois países no âmbito da Global Biofuels Alliance, criada para estimular políticas e investimentos que acelerem o uso sustentável de biocombustíveis, segundo a instituição brasileira.Bioenergia em expansão no BrasilO Brasil ocupa hoje posição de destaque no cenário global de bioenergia. O país é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos, e tem um dos programas mais consolidados de uso de biocombustíveis no transporte. O RenovaBio, política pública lançada em 2017, estabeleceu metas anuais de descarbonização e incentivos à eficiência energética na produção de combustíveis renováveis.Além disso, cresce a produção de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar e de outras fontes agroindustriais, ampliando o papel da bioenergia na matriz elétrica e no setor de transportes pesados.Esse cenário coloca o Brasil entre os países com maior potencial de exportação de tecnologia e expertise regulatória para o desenvolvimento sustentável do setor.Parceria estratégica com a ÍndiaDurante o Brasil–India Business Forum, o presidente da UNICA, Evandro Gussi, ressaltou que a evolução da política indiana de mistura de etanol à gasolina — que passou de 2% para 20% em pouco mais de uma década — demonstra o potencial da cooperação bilateral para acelerar a adoção de combustíveis renováveis em escala global.Segundo Gussi, a combinação entre capacidade produtiva, inovação tecnológica e marcos regulatórios estruturados cria condições para que os dois países contribuam de forma significativa para a descarbonização dos transportes e para a ampliação dos investimentos em energia limpa.A harmonização de mecanismos de contabilização de carbono também está entre os temas prioritários da parceria, com o objetivo de garantir previsibilidade regulatória e favorecer a integração de mercados de biocombustíveis.Perspectiva global e novos mercadosO memorando assinado faz parte da agenda da ApexBrasil, que acompanhou a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia. Durante o encontro, os biocombustíveis foram destacados como exemplo prático de cooperação internacional em transição energética.Além do etanol, o acordo prevê a ampliação do diálogo técnico em novas frentes, como combustíveis sustentáveis para aviação e transporte marítimo, setores considerados estratégicos para a descarbonização da economia.Para o setor sucroenergético brasileiro, o avanço da parceria representa oportunidade de diversificação de mercados e fortalecimento das exportações. A Índia, que busca reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, tem ampliado a produção de cana-de-açúcar e etanol, o que favorece a troca de conhecimento e a cooperação tecnológica com o Brasil.__________________________________________
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