Mercado livre de energia cresce no Brasil e chega à gestão pública com foco em economia e sustentabilidade

Image

Modelo ganha força e avança na modernização do setor elétrico brasileiro

O mercado livre de energia elétrica segue em ritmo acelerado de expansão no Brasil e se consolida como um dos pilares da modernização do setor elétrico e da transição para uma matriz mais sustentável.

Segundo dados divulgados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mais de 21,7 mil novos consumidores migraram para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) em 2025, elevando o total de participantes para aproximadamente 85 mil, número que já representa 43% de toda a eletricidade consumida no país.

O modelo, que permite que consumidores escolham livremente seus fornecedores e negociem condições de preço, prazo e fonte de energia, vem se consolidando entre empresas de todos os portes e, mais recentemente, começa a ganhar espaço também na gestão pública.

Expansão e competitividade

A adesão crescente ao mercado livre reflete a busca por autonomia e previsibilidade nos custos de energia.

Em 2025, os setores de serviços e comércio lideraram as migrações, somando mais de 10 mil novos consumidores, de acordo com a CCEE. As regiões Sudeste e Sul concentraram a maior parte dos novos contratos, mas o avanço foi nacional, com destaque para o Nordeste e o Centro-Oeste, que juntos superaram 5,5 mil novas adesões.

Para o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a expansão do ACL é estratégica para fortalecer a segurança energética e atrair novos investimentos.

“O crescimento do mercado livre de energia mostra como o país está avançando na modernização do setor elétrico. Estamos ampliando a liberdade de escolha do consumidor, promovendo mais competitividade e criando um ambiente favorável à atração de investimentos em todas as regiões brasileiras. Agora, com a Reforma do Setor Elétrico, a abertura do mercado para os pequenos consumidores (baixa tensão) será feita de forma gradual e responsável, sempre com um olhar voltado para a segurança energética e para as necessidades da população”, afirmou.

Com a Reforma do Setor Elétrico, a abertura do mercado deve se estender gradualmente aos consumidores de baixa tensão — pequenas empresas e residências — até 2028, democratizando o acesso à compra direta de energia no país.

Governo do Espírito Santo entra para o mercado livre

Um dos movimentos mais recentes de adesão ao mercado livre vem do setor público. O Governo do Espírito Santo publicou, em fevereiro de 2026, o Edital nº 90001/2026, que prevê a migração das unidades consumidoras do Poder Executivo Estadual para o ACL.

O contrato, com vigência de 60 meses e valor estimado em R$ 80,6 milhões, inclui não apenas o fornecimento, mas também a gestão técnica, regulatória e de consumo, além da representação das unidades junto à CCEE.

Estudos técnicos indicam que a mudança pode gerar economia de R$ 64,8 milhões ao longo do contrato, uma redução de 26% nos custos com energia elétrica em comparação ao modelo tradicional do mercado cativo.

Segundo o secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Marcelo Calmon, a medida representa um avanço na eficiência do gasto público:

“Estamos adotando um modelo mais moderno, que permite ao Governo do Estado planejar melhor seus gastos, ganhar eficiência e, ao mesmo tempo, fortalecer o uso de energia limpa e sustentável”.

O edital determina que toda a energia contratada deve ser proveniente de fontes renováveis certificadas, reforçando o compromisso do Estado com práticas sustentáveis e a redução da pegada de carbono.

Sustentabilidade e futuro do setor

Além da economia, o mercado livre tem se mostrado um instrumento importante na transição energética. Cada vez mais empresas — e agora também governos — optam por energia de fontes limpas, como solar, eólica e biomassa, alinhando metas de redução de emissões às demandas por eficiência econômica.

Para Rafael Fontes, coordenador do Laboratório de Gestão de Energias Sustentáveis da Seger (Lages), o movimento do Espírito Santo é simbólico:

“A migração para o mercado livre amplia o controle sobre o consumo, aumenta a transparência e contribui para uma gestão mais eficiente dos recursos públicos, constituindo um passo relevante na transição da matriz energética do Governo Estadual".

Com a abertura gradual prevista até 2028, o mercado livre de energia deve se tornar acessível a todos os consumidores brasileiros, permitindo negociações personalizadas, redução de custos e, sobretudo, um avanço significativo na sustentabilidade e modernização do sistema elétrico nacional.

Gostou do Conteúdo, Cadastre-se já e receba todas as notícias de BiomassaBR no seu email cadastrado

Compartilhe esta noticia: