A Itaipu Binacional e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) abriram oficialmente, nesta terça-feira (3), a primeira chamada pública para venda de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-RECs) emitidos pela hidrelétrica. A iniciativa, lançada oficialmente durante a COP30, em Belém, representa um passo importante para o mercado brasileiro de energia limpa e consolida a Itaipu como uma das referências globais em sustentabilidade e inovação no setor elétrico.Os certificados correspondem à geração renovável de 2025 e serão rastreados por meio da Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável, desenvolvida pela CCEE. Cada I-REC emitido contará com o Selo CCEE Origem, que garante a rastreabilidade e a integridade ambiental dos ativos, além do Selo I-REC Itaipu, símbolo de compromisso socioambiental das empresas compradoras.O que são os Certificados I-REC?Os International Renewable Energy Certificates (I-RECs) são instrumentos que comprovam que determinada quantidade de energia elétrica foi gerada a partir de fontes 100% renováveis — como hídrica, solar, eólica ou biomassa. Cada certificado equivale a 1 MWh de energia limpa, e pode ser adquirido por empresas que desejam neutralizar suas emissões de carbono e demonstrar práticas de responsabilidade ambiental.Esses certificados são reconhecidos internacionalmente e têm se tornado uma ferramenta essencial na descarbonização da economia, especialmente entre corporações que assumiram metas de neutralidade climática (Net Zero).Avanço para o setor elétrico brasileiroDe acordo com o presidente do Conselho de Administração da CCEE, Alexandre Ramos, a operacionalização do mecanismo concorrencial reforça o compromisso da Câmara com a integridade e a governança do mercado de energia sustentável no país.“A Plataforma Brasileira para a Certificação de Energia Renovável foi desenhada justamente para viabilizar operações dessa magnitude. Ao operacionalizar este mecanismo concorrencial para Itaipu, a CCEE reafirma seu papel de garantidora da integridade dos certificados que vão impulsionar a descarbonização da economia brasileira de forma segura e auditável”, destacou Ramos.Para a Itaipu Binacional, o ingresso no mercado de certificação energética representa não apenas um marco de inovação, mas também o fortalecimento de sua contribuição para a transição energética global.“O ingresso da Itaipu no mercado de certificação é um marco histórico para a empresa, e reafirma o compromisso da Binacional com a promoção de práticas sustentáveis e com a transição energética”, afirmou André Pepitone, diretor financeiro executivo da binacional.Como participar da chamada públicaO mecanismo concorrencial será realizado de forma on-line entre 23 e 25 de fevereiro de 2026, permitindo que empresas interessadas apresentem propostas de compra dos certificados.Antes disso, no dia 5 de fevereiro, às 10h, a CCEE promoverá um workshop técnico on-line para explicar as regras de habilitação e o uso da plataforma de comercialização. O evento poderá ser acompanhado ao vivo pelo Portal do Aluno – CCEE Academy, sem necessidade de inscrição prévia.O edital completo com o cronograma e formulários de inscrição já está disponível no Portal da CCEE. O período para envio de dúvidas sobre o edital vai de 4 a 11 de fevereiro, e os resultados preliminares serão divulgados em 3 de março.Curiosidades sobre Itaipu e o mercado de energia limpa— > Maior do mundo: A Itaipu Binacional é a maior geradora de energia limpa e renovável do planeta, com 3,1 bilhões de MWh produzidos desde o início de sua operação.— > Energia compartilhada: A usina fornece cerca de 7% da eletricidade consumida no Brasil e 78% no Paraguai, sendo um dos exemplos mais bem-sucedidos de cooperação internacional.— > ODS 13: A adesão da Itaipu ao mercado de certificados está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 da ONU, que incentiva ações contra as mudanças climáticas.— > I-RECs e empresas verdes: Companhias de tecnologia, indústria e varejo têm adotado os I-RECs para comprovar o uso de energia limpa em suas operações — um diferencial competitivo valorizado por investidores e consumidores.— > Tendência global: Estima-se que o mercado mundial de I-RECs movimentará mais de US$ 25 bilhões até 2030, à medida que governos e empresas aceleram a corrida pela neutralidade de carbono.