Em entrevista ao Portal Biomassa BR, Tobias Mettler destaca tecnologia suíça de ondas de pressão para eliminar paradas não programadas em caldeiras

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O executivo da P-Wave AG explica como a limpeza contínua e automatizada combate a incrustação, reduz emissões de $CO_2$ e otimiza a rentabilidade de plantas de biomassa e Waste-to-Energy

Portal Biomassa BR: As usinas de Valorização Energética de Resíduos (Waste-to-Energy - WtE), de biomassa e industriais enfrentam uma das maiores dores de cabeça operacionais do setor: a perda de eficiência e as paradas não programadas causadas pela incrustação em caldeiras. Como a tecnologia da P-Wave resolve esse gargalo de forma contínua e totalmente automatizada?

A incrustação nas caldeiras reduz a transferência de calor, aumenta a temperatura dos gases de exaustão e pode, eventualmente, forçar a usina a reduzir sua carga ou parar completamente para limpeza. A P-Wave soluciona esse problema por meio de geradores compactos instalados diretamente em posições estratégicas da caldeira. Cada gerador P-Wave produz uma onda de pressão curta e potente que se propaga pela caldeira e remove os depósitos das superfícies de troca térmica.

As sequências de limpeza de cada gerador são controladas automaticamente e podem ser adaptadas individualmente ao projeto da caldeira, às características do combustível e ao comportamento real de incrustação — o que representa um diferencial significativo em relação a muitos outros sistemas de limpeza. Essa flexibilidade é cada vez mais importante porque variações na composição do combustível podem alterar rapidamente o local, a intensidade e o tipo de incrustação, exigindo ajustes correspondentes no regime de limpeza da caldeira. Como a limpeza ocorre durante a operação normal da caldeira, a usina consegue manter a eficiência da transferência de calor por períodos mais longos, sem interromper a produção. O objetivo não é simplesmente limpar a caldeira, mas controlar a incrustação de forma contínua e evitar que os depósitos se transformem em uma limitação operacional grave.

Portal Biomassa BR: A P-Wave conta com mais de 100 sistemas em operação em mais de 10 países, além de parcerias estratégicas de licenciamento com líderes globais de engenharia, como a JFE no Japão e a Rosink na Europa. Como a expansão dessa tecnologia suíça para o Brasil e a América Latina pode transformar a eficiência das usinas locais?

O Brasil e a América Latina são mercados altamente relevantes para a P-Wave, pois combinam um mercado crescente de Valorização Energética de Resíduos com uma frota existente expressiva de usinas industriais e de biomassa. Muitas dessas instalações operam com combustíveis que podem gerar depósitos difíceis, variáveis ou altamente aderentes nas caldeiras. Mudanças nos tipos de resíduos, na qualidade da biomassa ou nas misturas de combustíveis também podem alterar o comportamento da incrustação e exigir que o regime de limpeza seja adaptado ao longo da vida útil da usina.

As instalações internacionais da P-Wave demonstraram que a limpeza por ondas de pressão pode ser adaptada a diferentes tipos de caldeiras, combustíveis e condições operacionais. Portanto, a tecnologia é particularmente interessante tanto para usinas novas quanto para as já existentes que buscam aumentar a disponibilidade sem depender exclusivamente de sopradores de fuligem tradicionais ou de limpeza manual. Como os geradores são compactos e requerem apenas conexões locais na caldeira, o sistema PWG pode, em geral, ser instalado via retrofit em usinas existentes com requisitos de espaço e infraestrutura comparativamente limitados.

Nossa abordagem no Brasil será baseada em uma cooperação próxima com operadores locais, empresas de engenharia e parceiros de serviços. O conhecimento local é essencial para a instalação, comissionamento e suporte de longo prazo, enquanto a P-Wave contribui com sua tecnologia, experiência em engenharia e expertise de aplicação. Além disso, diversos avanços em TI e Inteligência Artificial nos permitem dar suporte à operação e manutenção dos geradores P-Wave de forma remota.

O impacto potencial vai além de simplesmente substituir um dispositivo de limpeza por outro. Ao melhorar a limpeza da caldeira e permitir que o regime de limpeza seja ajustado conforme as condições de combustível e incrustação mudam, as usinas podem aumentar seu tempo de operação contínua, recuperar mais energia a partir do mesmo combustível e reduzir as intervenções de manutenção. A facilidade de retrofit também permite que os operadores modernizem ativos existentes sem precisar esperar por um redesenho completo da caldeira ou por um novo projeto de usina. Isso impulsiona tanto o desenvolvimento econômico de projetos de recuperação energética quanto a transição mais ampla para uma produção de energia mais eficiente e com menor pegada de carbono na região.

Leia a entrevista completa na Revista RBS Magazine (link em breve por aqui).

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