Portal Biomassa BR: Reginaldo, para abrirmos a nossa entrevista, conte-nos um pouco sobre a missão institucional da World Carbon Association (WCA) e como ela atua para conectar o mercado de capitais, os marcos regulatórios e a execução industrial em prol da descarbonização global?A World Carbon Association (WCA) é uma organização internacional que tem como missão promover a transição para uma economia de baixo carbono por meio da integração entre governos, setor produtivo, mercado financeiro, academia e organismos multilaterais. Nosso propósito é transformar desafios climáticos em oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável, fomentando investimentos, inovação tecnológica e mercados ambientais íntegros.A WCA atua como uma plataforma global de cooperação, conectando projetos de descarbonização com investidores, instituições financeiras e mercados internacionais. Trabalhamos para fortalecer mecanismos de financiamento climático, desenvolver metodologias e padrões internacionais, estimular políticas públicas e apoiar a implementação de soluções voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.Mais do que discutir carbono, buscamos criar um ambiente favorável para que empresas, governos e investidores possam estruturar projetos robustos, com segurança jurídica, transparência e credibilidade, capazes de impulsionar a competitividade e acelerar a transição energética mundial.Portal Biomassa BR: O Fórum GD, o Fórum ABREN e a feira Reciclação se uniram para criar uma grande plataforma de soluções. Sob a ótica da WCA, como os setores de geração distribuída, recuperação energética de resíduos e reciclagem industrial se conectam diretamente com a geração e a comercialização de créditos de carbono?A integração entre esses setores representa um dos melhores exemplos de como a economia circular e a transição energética caminham juntas. A geração distribuída amplia a participação de fontes renováveis na matriz energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e contribuindo para a mitigação das emissões. A recuperação energética de resíduos transforma um passivo ambiental em fonte de energia, reduzindo emissões de metano e promovendo a valorização dos resíduos. Já a reciclagem industrial diminui o consumo de matérias-primas virgens, reduz a demanda energética dos processos produtivos e fortalece cadeias produtivas mais sustentáveis.Essas iniciativas possuem elevado potencial para gerar reduções certificadas de emissões e ativos ambientais de alta integridade, desde que estruturadas com metodologias reconhecidas, sistemas robustos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) e critérios internacionais de adicionalidade.Mais do que setores independentes, geração distribuída, recuperação energética e reciclagem representam uma nova infraestrutura da economia de baixo carbono, capaz de gerar energia, reduzir emissões, atrair investimentos e fortalecer mercados de carbono.Portal Biomassa BR: O Brasil vem avançando a passos largos na estruturação e implementação do seu mercado regulado de carbono. Como você avalia o atual cenário nacional e quais são os maiores desafios e oportunidades que as indústrias brasileiras enfrentam para se alinhar a esse novo ecossistema?O Brasil vive um momento extremamente estratégico. Estamos construindo um verdadeiro ecossistema de finanças climáticas e de descarbonização que vai muito além do mercado regulado de carbono. A implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), associada ao Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN), ao Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão, à Lei do Combustível do Futuro e à construção da Taxonomia Sustentável Brasileira, cria um ambiente regulatório moderno, capaz de oferecer maior previsibilidade para investidores e segurança para o setor produtivo.O grande desafio das indústrias será incorporar a gestão das emissões às suas estratégias de negócio, investindo em inventários de carbono, sistemas de MRV, eficiência energética, inovação tecnológica e rastreabilidade ambiental.Por outro lado, as oportunidades são extraordinárias. O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, grande disponibilidade de recursos renováveis, liderança em bioenergia, enorme potencial em biometano, hidrogênio de baixa emissão, captura e armazenamento de carbono (CCUS), combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e soluções baseadas na natureza. As empresas que se anteciparem a esse movimento estarão mais preparadas para competir em mercados cada vez mais exigentes em relação à pegada de carbono de seus produtos.Leia a matéria completa na Revista RBS (link em breve aqui).