A proposta de ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, conhecida como E32, é vista pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) como um avanço na estratégia de sustentabilidade e segurança energética do Brasil. A medida, que deve ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), amplia o uso de um combustível renovável produzido em larga escala no país.Segundo a entidade, o aumento da participação do etanol na matriz de transportes contribui para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que fortalece a previsibilidade no abastecimento. A avaliação da UNICA é de que o Brasil reúne condições técnicas e estruturais para avançar gradualmente na adoção de misturas mais elevadas, devido à experiência acumulada com o uso de biocombustíveis."A ampliação da mistura é um caminho que o Brasil já conhece e sabe operar. O etanol permite avançar com segurança energética a partir de uma solução disponível, produzida no país e em larga escala, com ganhos relevantes também do ponto de vista ambiental, ao reduzir emissões no ciclo de vida dos combustíveis”, afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.Expansão com base em capacidade já instaladaDe acordo com estimativas do setor, a adoção do E32 deve gerar uma demanda adicional de cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano em relação ao percentual atual. Considerando a evolução desde o E27, o aumento acumulado chega a aproximadamente 2,4 bilhões de litros em doze meses.A UNICA aponta que esse crescimento pode ser atendido pela capacidade produtiva já existente, somada à expansão em curso, que inclui tanto o etanol de cana-de-açúcar quanto o etanol de milho. A previsão de novas unidades industriais reforça a expectativa de equilíbrio entre oferta e demanda.Benefícios ambientais e redução de emissõesNa avaliação da entidade, o etanol desempenha papel relevante na redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Por ser um combustível renovável, sua utilização em maior escala tende a reduzir a intensidade de carbono da matriz, especialmente quando considerada a análise de ciclo de vida.A UNICA destaca que a ampliação da mistura representa uma solução já disponível e com impacto imediato, contribuindo para os compromissos de descarbonização sem necessidade de grandes mudanças na infraestrutura existente.Experiência brasileira como referência internacionalOutro ponto ressaltado pela entidade é a posição do Brasil no cenário global. Com uma das maiores frotas flex do mundo e histórico consolidado no uso de etanol, o país já opera com níveis de mistura superiores aos discutidos em outras regiões.Iniciativas internacionais, como debates na União Europeia sobre a possível adoção do E20, indicam uma tendência de maior utilização de biocombustíveis. Nesse contexto, a experiência brasileira é apontada como referência para outros mercados que buscam alternativas para a transição energética.Sustentabilidade e segurança energéticaPara a UNICA, o avanço para o E32 reforça a combinação entre sustentabilidade e segurança energética, ao ampliar o uso de uma fonte renovável nacional e reduzir a necessidade de importação de gasolina.A proposta ainda será analisada pelo CNPE, mas, na avaliação da entidade, representa mais um passo na consolidação de políticas públicas voltadas à diversificação da matriz energética e ao aproveitamento de soluções já estabelecidas no país.__________________________________________
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