“Passaporte Verde” propõe incentivos fiscais para empresas que usam energia renovável

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Novo PL que tramita na Câmara de Deputados prevê isenção de ICMS sobre o consumo de energia elétrica, redução de até 50% no Imposto de Renda (IRPJ) e deduções de investimentos em energia renovável na base da CSLL

Empresas que utilizam apenas fontes de energia renovável poderão ter isenção de impostos e benefícios fiscais caso o Projeto de Lei 1338/25, em análise na Câmara dos Deputados, seja aprovado. A proposta, de autoria do deputado Marx Beltrão (PP-AL), cria o programa “Passaporte Verde”, que pretende estimular o uso de energia limpa na indústria e no comércio, fortalecendo a transição do país para uma economia de baixo carbono.

Enquanto o projeto tramita nas comissões do Congresso, comércios e indústrias já avançam nesse caminho por meio da geração distribuída (GD) — modelo em que o próprio consumidor produz sua energia, principalmente a partir de painéis solares fotovoltaicos.

Esse movimento vem crescendo de forma expressiva nos últimos anos e mostra que parte do setor privado já busca reduzir custos e emissões de forma voluntária, mesmo antes de incentivos federais.

Proposta prevê isenção de impostos e prioridade em licitações

O texto do Passaporte Verde estabelece isenção de ICMS sobre a energia elétrica consumida, redução de 50% no Imposto de Renda (IRPJ) e dedução integral de investimentos em energia renovável da base de cálculo da CSLL. Também estão previstos reduções no PIS e Cofins e isenção de IPI para produtos fabricados com energia limpa — exceto bens de luxo ou considerados poluentes.

As empresas que cumprirem os critérios ainda terão preferência em licitações públicas nas esferas federal, estadual e municipal. Para isso, precisarão comprovar, por meio de laudos técnicos, que todas as suas operações utilizam exclusivamente fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa, geotérmica, energia dos oceanos ou pequenas centrais hidrelétricas.

Segundo o autor da proposta, o objetivo é estimular práticas sustentáveis sem onerar o setor produtivo.

“Ao oferecer benefícios fiscais para empresas que comprovem o uso exclusivo de energia renovável, o governo cria um ambiente favorável para a adoção de práticas sustentáveis, sem impor custos adicionais”, afirmou ele de acordo com a Câmara Notícias.

Setor produtivo já aposta na energia própria

Na prática, o incentivo fiscal proposto reforça uma tendência já consolidada. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que a geração distribuída encerrou 2025 com cerca de 43,5 GW de potência instalada no Brasil, volume 50% maior que o registrado dois anos antes.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), são aproximadamente 3,8 milhões de sistemas conectados e quase 7 milhões de unidades consumidoras beneficiadas, presentes em mais de 5.500 municípios brasileiros. A energia solar fotovoltaica responde por cerca de 99% da capacidade instalada, liderando o avanço do setor.

Grande parte dessa expansão vem justamente de empresas e indústrias, que encontraram na geração própria uma forma de reduzir despesas com eletricidade e ampliar sua previsibilidade orçamentária. Além da economia, o uso de fontes limpas se tornou um diferencial competitivo e de imagem, alinhado às diretrizes ESG (ambientais, sociais e de governança).

Incentivos públicos e investimentos privados: um modelo convergente

Especialistas apontam que o Passaporte Verde pode funcionar como um acelerador complementar à geração distribuída, especialmente para pequenas e médias empresas que ainda enfrentam barreiras de investimento inicial.

Com a dedução de 100% dos investimentos em energia renovável da base de cálculo da CSLL, o programa tende a aumentar a atratividade dos projetos fotovoltaicos, impulsionando toda a cadeia nacional de integradores, fabricantes e prestadores de serviço.

A proposta também prevê a criação de um Comitê Nacional de Energia Limpa e Sustentável, responsável por monitorar os impactos econômicos e ambientais da medida. O comitê atuará sob coordenação da Aneel e do Ministério de Minas e Energia.

Empresas que deixarem de usar energia limpa de forma integral perderão automaticamente os benefícios e poderão sofrer penalidades, o que exigirá mecanismos de comprovação e rastreabilidade confiáveis.

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