O empresário Eike Batista deve anunciar nos próximos dias a venda de uma participação minoritária de sua empresa de energia, a MPX, para o maior grupo de energia alemão, o E.ON. O porcentual, ainda em discussão, ficará em torno de 10%, com a E.ON respondendo por um aporte de cerca de R$ 1 bilhão na MPX, o que pode ser feito por meio de um aumento de capital. O acordo marcaria a entrada no Brasil da gigante alemã, que sofre com a decisão do governo da Alemanha de abandonar a área de energia nuclear até 2022 e vem redirecionando investimentos para mercados emergentes e fontes de energia renováveis. A companhia, que já anunciou o fechamento de todas as suas seis usinas nucleares e a saída de sua participação em outras cinco, se prepara para uma perda substancial de receita. A área nuclear é apontada pela empresa como a principal responsável pela queda de 45% na geração de caixa do primeiro semestre de 2011, para 4,3 bilhões. A aliança com a MPX contemplaria a formação de uma joint venture e investimentos bilionários em diferentes térmicas no Brasil e no Chile. A notícia veio à tona duas semanas depois de a E.ON ver frustradas pelo governo de Portugal suas tentativas de comprar uma fatia de 21,3% estatal de energia portuguesa EDP. A portuguesa, que também estava sendo disputada pela Eletrobrás e pela Cemig, acabou fechando negócio com a chinesa Three Gorges. Caso tivesse ido à frente, a aliança da E.ON com a EDP também teria trazido a alemã ao Brasil, já que MPX e EDP dividem o controle da térmica de Pecém, no Ceará. Segundo fontes do mercado, a joint venture seria repartida em 50% para cada sócio, com participação em projetos de energia ainda não vendida somando 11 mil megawatts (MW). A MPX tem 3 mil MW de energia contratada em leilões e detém licenciamento ambiental de construção liberado para 14 mil MW. Para se ter uma ideia do tamanho dos aportes necessários, o investimento total em Parnaíba representou cerca de R$ 2 bilhões por cada 1 mil MW. No cálculo de quanto cada empresa teria que aportar nos empreendimentos, também deve ser levado em conta que investimentos em térmica a gás são menos custosos que térmicas a carvão. Reação. Após as informações não confirmadas sobre o negócio, as ações da MPX, que acumulam cerca de 40% de alta desde outubro, fecharam em queda de 1,41%. As assessorias de imprensa da MPX e da E.ON preferiram não comentar a informação. A joint venture prevê a divisão de investimentos bilionários para as térmicas de Açu (5,4 mil MW, no Rio de Janeiro), de Parnaíba (2,2 mil MW ainda não vendidos, no Maranhão), do Chile (Castilla, 2,1 mil MW) e do Sul do Brasil (1,3 mil MW). A MPX Açu é o maior complexo de geração licenciado no Sudeste, com 5,4 mil MW. Para o Parnaíba, a previsão de que atinja uma capacidade de 1,5 mil MW em 2014. A MPX encerrou o terceiro trimestre do ano com uma posição de caixa consolidada de R$ 1,4 bilhão e ativos de energia, carvão e gás no Brasil, Chile e Colômbia. O foco da empresa é em produção de energia elétrica. Já a E.ON amargou no segundo trimestre de 2011 o primeiro prejuízo trimestral de sua história, culpando o recuo da Alemanha em energia nuclear, assim como os preços baixos da energia e do gás. Na ocasião, a alemã anunciou ter identificado o Brasil, Índia e Turquia como "novas regiões prioritárias com detalhadas estratégias de entrada no mercado".Em 22 de dezembro, depois de ter perdido a disputa pela EDP, a E.ON disse que continuaria centrando investimentos em negócios já existentes e alguns seletos mercados em crescimento. Também informou um investimento de 7 bilhões em cinco anos em energias renováveis.Fonte : O Estado de S.Paulo por SABRINA VALLE