ONU quer mais agilidade na emissão de créditos no MDL

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Comitê Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo está reunido na Alemanha para encontrar maneiras de facilitar a liberação de créditos de carbono e de como incentivar mais países a participar da ferramenta

O conceito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é premiar projetos em países em desenvolvimento que reduzam as emissões de gases do efeito estufa com créditos de carbono (RCEs - Redução Certificada de Emissão) que podem ser negociados nos mercados internacionais.

Mas desde a sua criação, sempre houve problemas com a burocracia e com os altos custos envolvidos para que cada projeto conquistasse seus créditos. Além disso, aconteceu uma concentração das iniciativas em países como a China e a Índia, onde os governos locais estimularam a adesão ao mecanismo.

Como tornar mais ágil o processo de obtenção das RCEs e como aumentar a participação das pequenas nações e dos países insulares no mecanismo são as metas da 59º reunião do Comitê Executivo (CE) do MDL que está sendo realizada nesta semana em Bonn, na Alemanha.

“É importante fazer com que mais países percebam os benefícios do MDL. Temos que ter grupos trabalhando na divulgação do mecanismo e ajudando os projetos para que sejam desenvolvidos da melhor maneira para facilitar a certificação”, explicou Asterio Takesy, membro do CE, durante a webcast de abertura da reunião.

O encontro está sendo coordenado por Martin Hession, responsável pelos mercados de carbono globais do Departamento de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido.

A intenção do CE é que até julho novas metodologias que agilizem e democratizem o MDL já estejam ao menos formuladas.

“O plano é ambicioso, mas não sei se é realístico. Para dar certo todo o foco e recursos do painel de metodologia deverão estar nessa tarefa. Simplificar os procedimentos pode levar muito mais tempo do que se imagina”, afirmou Lex de Jonge, antigo presidente do Comitê Executivo.

Nas duas primeiras semanas de fevereiro apenas 1,97 milhões de RCEs foram emitidas, muito pouco em comparação às 15,4 milhões na primeira metade de janeiro. Outras 3,2 milhões devem ser liberadas em breve.

“Nós devemos tentar acabar com os gargalos no mecanismo este ano. Eu acredito que manter uma meta ambiciosa marcando o prazo limite para a nossa 62º reunião em julho é a melhor maneira de conseguirmos isto”, disse Takesy.

EU ETS

Se o Comitê Executivo quer mais agilidade no MDL, a Comissária Climática da União Européia, Connie Hedegaard, quer justamente o oposto para as negociações imediatas (spot trade) no Esquema Europeu de Comércio de Emissões.

A Comissária encomendou um estudo para avaliar como implementar um mecanismo de atraso nas negociações imediatas e assim dificultar a venda de créditos roubados.

Autoridades acreditam que a velocidade do mercado facilita as ações criminosas, já que antes mesmo que o roubo se torne público os créditos já foram negociados por diversas contas.

A idéia de estabelecer um “delay” nas negociações deve ser debatida em março, quando será realizada uma reunião entre a Comissária e representantes dos Estados membros do EU ETS.

Somente o último caso de roubo de créditos no leste europeu causou o prejuízo de € 30 milhões. Ninguém ainda foi responsabilizado, porém a Europol acredita se tratar de uma quadrilha sediada na Romênia.




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