País do petróleo, Noruega investe em energia limpa

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Pesquisas apontam soluções na geração de biomassa a partir do lixo reciclado

O país que descobriu petróleo, no início dos anos 70, e que optou por exportar todo o excedente - e tornou-se o terceiro maior exportador de óleo e o segundo de gás natural do mundo - depende, hoje, da energia hidrelétrica para suprir 99% das suas necessidades de energia elétrica. A Noruega poderia estar tranquila, mas decidiu investir em pesquisas para gerar energia a partir de outras fontes renováveis e limpas.

Os noruegueses optaram, inclusive, por usar os recursos provenientes dos royalties do petróleo para investir em pesquisas, que vão do uso da biomassa - a partir do aproveitamento dos restos gerados pela indústria da madeira - até a energia osmótica, passando por geração de biomassa resultante da reciclagem de lixo.

Para o país de 4,8 milhões de habitantes, o grande consumo de energia no inverno, tanto para o aquecimento quanto para a iluminação - a luz do dia aparece às 11 horas e some às 3 da tarde nesta estação do ano -, justifica a busca por fontes renováveis.

No final de outubro, a convite do governo norueguês, jornalistas brasileiros puderam conhecer as pesquisas que poderão resultar numa mudança na matriz energética do país. Hoje, o país tem a maior produção mundial de energia hidrelétrica per capita e gera 28,8 mil MW ou 122 TWh. Mesmo assim, o país importou 7,5 TWh em 2010 de outros países.

Projetos
O governo norueguês criou um fundo especificamente para pesquisas e destinou 650 milhões de euros para incentivar novas fontes limpas e mais eficiência energética.

Desde 2008, os noruegueses estão no Brasil e investem por meio da empresa SN Power, uma associação do fundo de investimento da Noruega para atuar em países em desenvolvimento (Norfund, com 40%), e a Statkraft (60%), estatal da área de energia elétrica.

Decidida a buscar cada vez mais geração de fontes alternativas, a Noruega quer chegar a 73% de energia renovável em sua matriz, até 2020. Para isso, investe pesado em pesquisas com biomassa, com aproveitamento de restos de madeira e reciclagem de lixo.

Outra forma de geração em estudo é a osmótica: o aproveitamento da liberação de energia a partir do encontro da água salgada com a água doce. Já há uma planta piloto funcionando nos arredores de Oslo, a capital, em caráter experimental.

Segundo o diretor de energia osmótica da Statkraft, Stein Erik Skilhagen, até 2013, a intenção é gerar 2 MW e, em 2018, chegar a uma usina com capacidade para gerar 25 MW. A osmose permite gerar energia a partir da passagem da água do mar por membranas feitas de um material especial. A tecnologia bombeia a água salgada e a doce para as membranas onde ocorre a pressão devido à osmose. Essa pressão é que gera a energia. (A repórter viajou a convite do governo norueguês)

Fonte A Gazeta por Denise Zandonadi

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