O Banco Votorantim e a BB DTVM, do Banco do Brasil, concluíram a oferta de três fundos de participações em projetos de energia renovável, levantando R$ 300 milhões junto a mais de mil investidores pessoas físicas, a maioria clientes de alta renda dos private banks das duas instituições. Os fundos BB Votorantim Energia Sustentável I, II e III têm prazos de cinco, dez e 30 anos e são os primeiros voltados para pessoas físicas dentro das regras de carteiras de infraestrutura que garantem isenção total de imposto de renda sobre rendimentos, distribuição de lucros e até de ganho de capital em bolsa das cotas.O Energia Sustentável I, de cinco anos, captou R$ 79 milhões, com 365 investidores. O II, de dez anos, atraiu mais, R$ 113 milhões, com 511 pessoas. E o III fechou com R$ 108 milhões e 140 investidores.Além do número de interessados, a grande surpresa foi que um terço dos recursos preferiu o fundo mais longo, de 30 anos, afirma Robert John van Dijk, responsável pela Votorantim Asset.A Votorantim será a administradora e gestora das carteiras, em parceria com a MW Energias Renováveis, originadora e operadora, e com a Excelência Energética, consultora técnica. A MW é formada por ex-sócios da Ipiranga Petróleo e a Excelência Energética é de José Said de Brito, ex-presidente da Votorantim Energia. "E nosso foco foi voltado para pessoa física pelo incentivo dado na legislação, de dar isenção para esse tipo de investidor nos fundos de infraestrutura", acrescenta van Dijk.Os fundos investirão nos mesmos projetos, em partes proporcionais ao valor captado, diferenciando-se apenas pelo prazo do resgate, explica van Dijk. "No exterior, seria um fundo só com três subclasses, mas no Brasil isso não é permitido", explica.Todos os três fundos terão suas cotas negociadas em bolsa, também com isenção de impostos de renda. Nos fundos imobiliários, por exemplo, os rendimentos são isentos de imposto de renda, mas o investidor paga imposto quando vende as cotas com lucro. Será uma forma de o investidor sair antes do vencimento do fundo.Com os recursos captados, os fundos poderão ainda tomar empréstimos para complementar os projetos no BNDES, por exemplo, afirma Reinaldo Lacerda, superintendente de Produtos da Votorantim. Assim, os R$ 300 milhões podem levar a investimentos totais de quase R$ 1 bilhão.O projeto dos fundos começou há um ano e meio e, com isso, o comitê de investimentos que vai comandar as carteiras já começou a analisar várias opções. Com isso, cerca de 60% dos recursos já têm destino certo e poderiam começar a ser aplicados imediatamente. São mais de dez projetos de PCHs e um de energia eólica, que pode começar no início do ano. O fundo terá gestão ativa, ou seja, poderá substituir os projetos ao longo do tempo se for interessante, afirma Lacerda.Para Osvaldo Cervi, diretor do private bank do Banco do Brasil, a concentração nos prazos até dez anos é lógica. "A idade média de nosso cliente é de 55 anos, e ele é centralizador, quer se enxergar administrando o patrimônio que vai ganhar, por isso prefere o prazo mais curto".O interesse pelos fundos de infraestrutura revela uma característica mais empreendedora do investidor atual, diz Carlos Takahashi, presidente da BB DTVM. "Não se trata mais de uma geração que apenas guarda recursos e forma patrimônio em aplicações financeiras ou imóveis", diz. "Quando vemos essa geração de 55 anos, notamos que muitos são empresários que venderam seus negócios na onda de crescimento recente do país e agora querem continuar investindo na economia real."Uma parcela significativa optou pelo prazo mais longo, de 30 anos, com um olhar mais de previdência ou de planejamento patrimonial, observa van Dijk. "É uma forma de deixar um pecúlio para os filhos, para daqui 30 anos, em um investimento na economia real com perspectiva de bastante retorno ", diz.Já Rogério Santos, do Votorantim Private, acrescenta que ocorreram vários casos em que ele discutiu com os clientes o investimento no fundo de 30 anos para os filhos. "Muitos clientes ficaram encantados em investir na economia real de forma sustentável e com um fundo novo, com grandes benefícios fiscais", afirma. No total, os investidores do private do Votorantim aplicaram R$ 150 milhões e os do private do BB, outros R$ 150 milhões.Os fundos de 10 e 30 anos passam a pagar dividendos para os cotistas a partir do quarto ano. Os valores são crescentes, até o vencimento das carteiras. Os gestores não se comprometem com uma rentabilidade fixa, mas colocam como expectativa de retorno do fundo de cinco anos IPCA mais 7% ao ano, no de 10 anos IPCA mais 10,5% e no de 30 anos IPCA mais 12,5%. "Lembrando que esses rendimentos são isentos de imposto", diz van Dijk.Fonte Valor Economico