Apesar da sua eficiência, somente 123 usinas, das 432 instaladas no país, utilizam o subproduto da cana para este fim. Apenas 2% do consumo nacional são supridos por bioeletricidade, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única).O pesquisador José Hassuani, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP), afirmou, em entrevista ao Globo Rural, que há duas dificuldades principais em investir neste tipo de tecnologia. A primeira diz respeito ao valor que precisa ser gasto para trocar as caldeiras de 20 bar (medida de pressão) para as de 65 bar, uma vez que o equipamento com alta pressão é mais eficiente. Outra questão é a diferença entre o preço pago pelos leilões do governo federal e o custo de produção bancado pelo agricultor. O valor mais recente do governo foi de R$ 100 por megawatt-hora, enquanto o custo dos agricultores é de R$ 200.As usinas de Santo Antônio e São Francisco são administradas pela Organização Balbo, empresa fundada em 1946. O diretor industrial Jairo Balbo diz que desde 1958 a empresa começou a fabricar etanol e em 1987 começou a investir na produção de energia com venda de excedente para a distribuidora Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). As usinas prosperaram tanto que deram origem a fundação da Bioenergia Cogeradora S/A, empresa do grupo que administra esse setor.Uma das primeiras mudanças sustentáveis foi implantar a colheita mecanizada no lugar da queima. Ao longo do tempo outras alterações foram feitas, como a vinhaça sendo usada na fertirrigação das lavouras e reutilização da água para a lavagem de pisos e equipamentos. Além disso, há um reaproveitamento da torta de filtro para adubação, um resíduo do plantio de cana-de-açúcar.A empresa cultiva cana-de-açúcar orgânica em 14 mil hectares e já é o maior exportador desse tipo de açúcar presente em 65 países, produzindo 65 mil toneladas. Este projeto recebeu o nome de Native, sendo considerado, pela ONU, um dos 29 negócios mais inspiradores para a economia verde. *Com informações do CicloVivo