Sustentabilidade para crescer -

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5ª Conferência Brasileira sobre APLs começou esta semana em Brasília (DF)

A dobradinha "Crescimento e Sustentabilidade" vai nortear o futuro da atuação do governo federal junto às concentrações de atividades econômicas em um mesmo território, os chamados Arranjos Produtivos Locais (APLs). É o que pretendem os organizadores da 5ª Conferência Brasileira sobre APLs, com o uso dessa combinação no título do evento, que começa nesta terça-feira (8/11) e vai até quinta-feira (10/11), no Convention Center do Hotel Royal Tulip, em Brasília. - Como resultado dos debates, será delineada uma política nova e específica para o setor . Suas diretrizes serão incorporadas ao Plano Brasil Maior, o novo elenco de medidas de estímulos à indústria anunciado pela presidente Dilma Rousseff em agosto passado.

"O tema foi escolhido com o objetivo de se criar um grande espaço de debate dessa 2ª geração de políticas que será lançada no primeiro semestre de 2012", relatou ao DCI a secretária de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloisa Menezes. A formulação da nova política setorial caberá ao Grupo de Trabalho Permanente para Arranjos Produtivos Locais (GTP-APL), formado por 33 organizações governamentais, privadas e não-governamentais, sob a coordenação do MDIC.

Desde a instalação do GTP-APL, em 2004, foram identificados mais de mil Arranjos Produtivos Locais em todo o país, que abrigam aproximadamente 295 mil empreendimentos responsáveis pela geração de quase três mil empregos.

De acordo com a secretária Heloísa Menezes, a 5ª Conferência vai abordar os eixos estruturantes dessa nova política definidos pelo GTP-AL: inclusão produtiva; crédito produtivo; acesso a mercado; governança e cooperação; inovação e conhecimento; e capacitação profissional.

Na avaliação dela, o GTP APL tem por finalidade a busca de uma atuação integrada, com unificação das estratégias de atuação. "A multiplicidade de atores que articulam estratégias de intervenção representam uma riqueza em termos de capital social e mobilização em torno da estratégia e deverá ser privilegiada na 2ª Geração de Políticas para APLs", afirmou.

Para ela o grande diferencial dos APLs são suas articulações coletivas para uma ação mais pró-ativa, resultando uma trajetória ascendente mais consistente e sem descontinuidades que alcançam êxito como coletividade e são competitivos no mercado.

Entre as propostas pontuais que serão debatidas consta a criação de mais linhas de financiamento para projetos coletivos/integrados. Segundo a secretária do MDIC, as instituições financeiras do GTP-APL têm desenvolvido, ao longo dos anos, novos instrumentos voltados especificamente para os APLs visando a um maior acesso aos serviços financeiros por parte dos empreendedores localizados, o que tem possibilitado uma maior alocação de recursos para consolidar e expandir os empreendimentos.

Mas ainda é pouco. É que a oferta de crédito é um dos principais gargalos do setor, avaliou Marcelo Gerson Pessoa de Matos, pesquisador da RedeSist - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que estuda os APLs. E, quando os empreendedores conseguem crédito, ele advertiu há o risco de endividamento crescente por causa das taxas de juros consideradas altas.

"Claro que o cenário de expansão econômica e o maior crescimento relativo das classes C, D e E, vivido nos últimos anos, pode ter contribuído para o relativo otimismo do micro e pequeno empresário, levando este a tomar empréstimos sob condições não tão favoráveis. Mas muitos não estão conseguindo cumprir com seus compromissos. O número de inadimplentes tem aumentado", alertou.

Na avaliação de Matos, apesar dos esforços do BNDES e dos governos estaduais, e dos bons resultados obtidos até o momento, ainda é escassa a oferta de crédito exclusivo para os APLs. Para ele ainda há significativa dificuldade para se criar linhas específicas para APLs. "O crédito disponível para empresa tem crescido, mas ainda apresenta restrições de diferentes tipos quanto a acesso e custo. É preciso qualificar bem este aumento da oferta de crédito", destacou Matos.

Para ele o alto custo do financiamento se deve ao spread bancário. Quer dizer, a dificuldade de oferecer garantias, o desconhecimento do empresário e da área de negócio e sua condição de MPEs acabam acarretando um custo de crédito associado ao risco de crédito ainda muito elevado.

Ele afirma que o crédito voltado para um conjunto de empresas e o maior conhecimento do empresário e da área de atividade numa dada localidade, pode contribuir para reduzir as assimetrias de informação e o risco de crédito percebido. "O desafio é justamente avançar no crédito para APLs", concluiu.

A abertura do evento será às 18h desta terça-feira. No segundo dia, estão previstas apresentações de projetos e casos de sucesso dos Núcleos Estaduais de APLs. Além disso, serão debatidas inclusão produtiva e responsabilidade social; crédito e microcrédito; inovação, conhecimento e tecnologia; ampliação do acesso a mercados; cooperação e governança; e capacitação profissional nos APLs.

No último dia da conferência, será abordado o tema principal da Conferência. Dentro dessa linha, haverá mesas de discussão sobre grandes, médias e pequenas empresas; serviços nos APLs; o papel governamental no desenvolvimento dos APLs; e melhores práticas e novos modelos de gestão.

Durante a conferência acontecem o 2º Encontro de Oportunidades, que reúne instituições do GTP APL e governanças dos arranjos produtivos; o Estande Coletivo do GTP APL, espaço destinado à exposição das ações institucionais: e a Mostra de Produtos de APLs, com o objetivo de aproximar os aglomerados produtivos dos participantes da Conferência.

O maior crescimento relativo das classes C, D e E, verificado nos últimos anos, pode ter contribuído para o relativo otimismo do micro e pequeno empresário


Fonte: Panorama Brasil

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