Os Estados Unidos não deverão alcançar sua meta de substituição de parte dos combustíveis fósseis por etanol celulósico no setor de transportes até 2022 se não houver mudanças em políticas públicas ou novas tecnologias que permitam uma queda no custo desses biocombustíveis na próxima década, concluiu um estudo do Conselho Nacional de Pesquisa (National Research Council - NRC) dos EUA, vinculado à Academia Nacional de Ciências. O objetivo do governo norte-americano era de se produzir 16 bilhões de galões (60,6 bilhões de litros) de etanol de segunda geração no início da próxima década, segundo determina a Renewable Fuel Standard (RFS), norma referente aos combustíveis renováveis aprovada pelo Congresso Americano em 2005.Ainda não há biorrefinarias comercialmente viáveis em operação nos EUA que convertam biomassa celulósica em combustíveis, e a estimativa da RFS só será alcançada para o etanol de segunda geração se o "processo de produção for inesperadamente melhorado" e o escalonamento das tecnologias ocorrer de maneira a permitir a construção de várias plantas de demonstração em escala comercial nos próximos anos. "Além disso, as incertezas sobre políticas e os altos custos de produção podem impedir os investidores de fazerem aportes mais agressivos", destaca o documento, publicado no dia 4 de outubro de 2011, informando que isso pode ocorre mesmo que o governo garanta um mercado para os biocombustíveis celulósicos acima do nível de consumo previsto.MODELOS POSSÍVEISO Conselho Nacional de Pesquisa construiu modelos para prever o cumprimento das metas de abastecimento de biocombustíveis nos Estados Unidos em 2022 de forma a reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Atualmente, o país importa 55% do petróleo que consome. Os biocombustíveis estão em uma área sensível estritamente ligada a políticas energéticas, ambientais e agrícolas, o que aumenta a complexidade das previsões, de acordo com as conclusões do estudo. As condições econômicas também exercem peso importante nesse setor, já que muitas vezes os incentivos dependem do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ou do preço do barril de petróleo no mercado internacional.A RFS, que foi incluída em 2007 na Lei de Independência e Segurança Energética, prevê para 2022, além de um volume de 16 bilhões de galões (60,6 bilhões de litros) de etanol celulósico produzido a partir de madeira, gramíneas ou partes de plantas não comestíveis, a produção de: 15 bilhões de galões (56,8 bilhões de litros) de biocombustíveis convencionais --- majoritariamente etanol de milho ---, 4 bilhões de galões (15,1 bilhões de litros) de biocombustíveis renováveis avançados --- que reduzam as emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 50% ---, e 1 bilhão de galões (3,8 bilhões de litros) de diesel de biomassa.O estudo --- patrocinado pelo Departamento de Energia, pelo Departamento de Agricultura e pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA --- considerou três modelos prováveis para avaliar a viabilidade econômica do etanol celulósico a partir do preço do barril do petróleo. Dos três preços previstos para o petróleo em 2022 em cenários de baixa, de referência e de alta --- US$ 52, US$ 111 e US$ 191 ---, apenas no último cenário o etanol celulósico seria viável sem a adoção de subsídios governamentais para os produtores. O documento "Renewable Fuel Standard: Potential Economic and Environmental Effects of U.S. Biofuel Policy" pode ser baixado pelo site das Academias Nacionais dos EUA.FONTE Inovação Unicamp