O presidente da Fibria, Marcelo Castelli, estuda ampliar a vocação inicial da empresa, voltada exclusivamente para a produção de celulose, para o aproveitamento completo de seus recursos florestais. “O negócio da biomassa para energia renovável está dentro do nosso radar”, afirma. “Existe uma grande avenida de negócios possíveis. A busca por fontes renováveis de energia é uma tendência que tem se fortalecido”.Com esta proposta, a Fibria pode seguir o exemplo da Suzano, que, no ano passado, ampliou seu foco de investimentos e criou a Suzano Energia Renovável, com a estratégia de construir uma unidade de biomassa a partir de eucalipto para geração de energia e a atuação no mercado de pellets (partículas desidratadas e prensadas de madeira moída), voltado para a exportação, principalmente para a Europa.Se a hipótese se concretizar, o executivo pode conservar seus ativos florestais no Projeto Losango (RS), na divisa com o Uruguai, com 58 mil hectares de eucaliptos, plantados em uma área total pouco superior a 100 mil hectares. Anteriormente, a empresa havia anunciado que pretendia vender o projeto, que pertencia à Votorantim Celulose Papel (VCP), dando origem à Fibria após a incorporação da Aracruz, há dois anos.A ideia de vender o Projeto era fazer caixa para resolver o problema da dívida resultante das perdas com derivativos da Aracruz, que migraram para a companhia, no valor de US$ 10 bilhões. O mesmo motivo levou a empresa a se desfazer da unidade em Piracicaba, último ativo de papel da Fibria, vendida na semana passada para a Oji Paper por US$ 313 milhões. “Queremos liquidez nos nossos negócios, que pode resultar da venda de madeira, parceria, ou da continuidade de projetos em andamento”, disse Castelli.No segundo trimestre, a empresa obteve lucro de R$ 215 milhões, alta de 66% sobre igual período do ano passado. Contudo, Castelli anunciou redução no plano de investimento em 2011 de R$ 1,64 bilhão para R$ 1,5 bilhão. A redução foi resultado do ganho de produtividade com as florestas. A estratégia neste ano foi aumentar o volume de florestas plantadas em terrenos arrendados, atingindo a meta de ter 30% de florestas em terras próprias e 70% em terras arrendadas de terceiros no Mato Grosso do Sul para a ampliação da unidade de Três Lagoas. “Temos um excedente de área já plantada em plena colheita de 30 mil hectares, um quinto da fábrica futura”, afirmou Castelli. Daí o investimento inferior ao previsto.Fonte: BiomassaBR