Para sustentar o crescimento econômico, o desafio do Brasil é aumentar em pelo menos 5% a oferta de energia a cada ano. A biomassa é parte da solução,

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A biomassa deve contribuir com 13% do total a ser acrescentado na geração de energia até 2012.

A expansão da economia é um grande feito tanto para as camadas mais pobres da população, que passam a ter acesso a uma série de bens, como eletrodomésticos, quanto para a indústria brasileira, que os produz. Mas esse fenômeno tem um lado preocupante -- o aumento do consumo de energia elétrica, que em 2007 foi de 6,7%. Para atender ao crescimento da demanda, governo e setor produtivo estão numa corrida contra o tempo. As projeções são de que o consumo de energia elétrica deve, num cenário conservador, crescer no mínimo 5% ao ano até 2012. A demanda passaria dos atuais 5 200 megawatts médios para 64 200, segundo a consultoria especializada PSR. Nesse cenário, o país terá de acrescentar 3 000 megawatts a cada ano, apenas para manter o atual quadro de oferta extremamente apertada. Se quiser voltar a ter folga, o ideal seria acrescentar 4 000 megawatts anualmente, montante superior à geração esperada da futura hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, a ser inaugurada em 2012. A questão é: de onde virá a energia adicional que o Brasil vai necessitar nos próximos anos?
Para remendar o chamado "cobertor curto" do mercado nos próximos anos, a solução será uma combinação de alternativas energéticas. As hidrelétricas, tanto as de grande porte quanto as centrais pequenas, continuarão a ser a principal fonte do país, seguidas das termelétricas movidas a gás, óleo e carvão. Mas há uma novidade que pode ser a chance de o país se livrar da corda bamba: é a energia elétrica gerada pela biomassa, especialmente do bagaço de cana-de-açúcar, considerada pelo governo como o combustível alternativo mais promissor na falta de chuva. A biomassa deve contribuir com 13% do total a ser acrescentado na geração de energia até 2012. Parece pouco, mas é exatamente essa diferença que pode evitar um novo apagão. Atualmente, a maioria das usinas usa a cana apenas para retirar o caldo -- e fazer açúcar ou álcool com ele. Agora, deve aproveitar também o bagaço para queimá-lo, gerando vapor que move turbinas de energia elétrica. "A entrada da biomassa significa uma folga para o mercado num período particularmente crítico", diz o economista José Rosenblatt, da PSR. "Até a virada da década podemos continuar vulneráveis, sujeitos à boa vontade de São Pedro."
No longo prazo, até 2021, o potencial estimado de geração de energia com o bagaço de cana seria equivalente ao da hidrelétrica de Itaipu, que responde por 20% do abastecimento do país.

Fonte: Exame




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