Técnicos transformam certificação em realidade no campo A realidade de alguns produtores do Acre está mudando com o programa de certificação de propriedades rurais, coordenado pelo governo estadual com apoio do WWF-Brasil. Produtores recebem treinamento, apoio técnico e um incentivo financeiro para que suas atividades sejam feitas de forma sustentável, sem o uso de fogo e respeitando os ecossistemas locais. Os resultados positivos já aparecem, mudando paradigmas e transformando práticas predatórias tradicionais em eficientes e rentáveis modelos de produção sustentável.Os técnicos agroflorestais que trabalham no campo são peças fundamentais para o funcionamento da engrenagem que move o programa de certificação. Dheina da Costa Gomes, de 21 anos, e Gilson da Silva Dantas, 33, formaram-se recentemente na Escola da Floresta, instituição estadual que oferece formação de técnicos nas áreas de produção e meio ambiente. Atualmente, prestam assistência a produtores que vivem às margens da BR-364, em processo de asfaltamento, mais precisamente na região dos municípios acreanos de Manoel Urbano e Feijó.Nascida em Senador Guiomard, Dheina foi uma das jovens escolhidas pela sua comunidade, o Projeto de Assentamento Petrolina, para estudar na Escola da Floresta. “Não só gostei de ter feito o curso, como quero continuar meus estudos nesta área”, afirma. Ela espera continuar trabalhando e quer fazer faculdade de Engenharia Florestal.Durante o curso, Dheina teve como primeira experiência profissional o estágio de 120 horas na área da BR-364. Quando terminou o estágio, voltou a sua comunidade para compartilhar e aplicar o que aprendeu nas áreas de organização comunitária, piscicultura e apicultura.Um ano depois do estágio, em agosto de 2010, foi selecionada pelo Instituto de Terras do Acre (Iteracre) para trabalhar na região onde havia estagiado: “Fiquei sabendo das vagas no Iteracre e deixei meu currículo. As pessoas têm boa aceitação ao trabalho de orientação dos técnicos florestais e nos valorizam, porque somos muitas vezes os únicos representantes do governo que já foram lá visitá-los e prestar assistência técnica”, explica.Segundo ela, os produtores demandam muito dos técnicos. “Eles pedem explicações, tiram dúvidas sobre as hortas, roçado sustentável, manejo da mucuna e valorizam o nosso trabalho. Nós não vamos lá apenas para fazer diagnóstico e adesão ao Programa de Certificação”, diz.Dheina salienta a importância de programas como o da certificação, direcionados primeiramente para instruir e capacitar o produtor em boas práticas. “Não é que os produtores queiram tocar fogo, é que eles têm conhecimentos limitados. Acredito que com essas alternativas que estamos trazendo eles vão trabalhar em suas propriedades de forma sustentável”, prevê.A técnica demonstra otimismo em relação ao futuro do setor produtivo na região da BR-364. Para ela, haverá melhoria da qualidade de vida dos produtores e condições de escoar a produção por conta da conclusão do asfaltamento da rodovia.Gilson da Silva Dantas, também nascido em Senador Guiomard, estudou na Escola da Floresta para suprir a deficiência de técnicos na sua comunidade de origem, o Projeto de Assentamento Limeira. Ele considera muito boa a oportunidade de atuar no Programa de Certificação de Propriedades Rurais.“A gente se sente bem em estar contribuindo, orientando para que eles não desmatem mais e aproveitem melhor o que já desmataram. Orientamos também para que eles preservem as matas ciliares e não usem mais o fogo”, afirma. “Em no máximo dois anos ninguém mais vai usar fogo por aqui”, completa com otimismo.O Programa de Certificação também cria uma importante demanda por profissionais, melhorando o futuro de jovens como Gilson e Dheina. Ao ser questionado sobre suas expectativas profissionais, ele abriu um grande sorriso e disse que não pretende ficar “só como técnico”: “Pretendo fazer faculdade de Engenharia Florestal ou Veterinária, que é o meu sonho”, concluiu. Fonte: WWF Brasil