A bolsa de energia Brix, parceria entre a IntercontinentalExchange (ICE) e o empresário Eike Batista para negociação de eletricidade no mercado livre, registrou 30 negócios nos dois primeiros dias de operação, entre 28 e 29 de julho. Segundo a companhia, o volume transacionado foi de 40,305 mil MWh (55 MW médios) em contratos com vencimento nos meses de julho, agosto, setembro, outubro e novembro. "Por ser uma iniciativa pioneira, o resultado inicial foi muito bom", disse o presidente da companhia, Marcelo Mello. Hoje, a Brix já conta com 30 agentes de mercados inscritos na plataforma, entre geradoras, comercializadoras e consumidores.Segundo as informações da companhia, 55% dos contratos têm vencimento em julho e 45% nos demais meses deste ano. Adicionalmente, 75% da energia transacionada é proveniente de fontes convencionais e outros 25% de fontes incentivadas, tais como as usinas eólicas, as térmicas a biomassa e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). "Tivemos ainda uma oferta para venda de energia em 2013, mas não houve comprador", disse o executivo. Os contratos foram fechados entre as partes nas modalidades "preço fixo" ou "PLD mais prêmio".Nesse primeiro momento, a Brix não está divulgando as informações dos preços dos contratos firmados entre os agentes do mercado. Mello explicou que a ideia da empresa é criar o "Índice Brix Spot", que servirá como referência de preços de energia para compradores e vendedores no mercado livre. "A partir de agora, vamos implementar uma metodologia de cálculo para este índice", afirmou o executivo. "O processo de criação da bolsa tem sido gradativo. Primeiro, nós constituímos as negociações físicas. Depois, vamos criar a metodologia de preços", disse.De acordo com Mello, pelo menos um terço dos 30 agentes que já aderiram à plataforma Brix participou dos 30 negócios realizados entre os dias 28 e 29 de julho. O executivo revelou que a companhia mantém, hoje, conversas com cerca de 100 agentes, dos quais aproximadamente 50 possuem interesse firme em ingressar na plataforma eletrônica da Brix.Para atrair novos geradores, consumidores e comercializadoras, a companhia tem adotado como política comercial nesses primeiros meses a concessão de isenção nos custos de transação na plataforma, estratégia que deve se encerrar ainda este ano - as 30 empresas já inscritas possuem de dois a três meses de isenção nesse custo.A Brix aposta também na facilidade proporcionada às negociações por uma plataforma eletrônica e na transparência para alavancar a quantidade de agentes inscritos e o volume de energia transacionado. "Esses fatores geram maior liquidez ao mercado livre e reduzem os custos, contribuindo para elevar o número de agentes negociando na plataforma", argumentou o executivo, sem revelar, por questões estratégicas, as metas da companhia no curto prazo.Além de Eike Batista e da ICE, os outros acionistas da Brix são: o economista Roberto Teixeira da Costa, o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, e o sócio-fundador da comercializadora de energia Compass, Marcelo Parodi. Hoje, entre os 30 agentes do mercado que já aderiram à plataforma da Brix estão a Cesp, a Eletronorte, a Quanta, a Bunge, a White Martins, a Rexam, a Eucatex, a Ibrame Laminação, a Coteminas, a MPX, a Seal Energy, a Agroenergia Comercializadora e a Compass. Adicionalmente, outras empresas estão avaliando ingressar na Brix, tais como Alcoa, Vale, Petrobras, CSN, Renova Energia, Ambev, Camargo Corrêa, Anglo Ferrous, Duratex, entre outras.O processo de implantação da bolsa está dividido em três fases. Na primeira, a Brix realiza a intermediação para contrato de compra e venda de energia física. Numa segunda etapa, está previsto o lançamento de contratos de derivativos de energia com liquidação financeira, ampliando o acesso à bolsa a instituições financeiras. Na terceira fase, a Brix lançará contratos de derivativos com liquidação financeira e risco multilateral suportados pela criação de uma "clearing house" (casa de compensação). Wellington Bahnemann, da Agência Estado