Com alguns votos contrários, algumas abstenções e muitas objeções, a maioria dos quase 800 delegados do Partido Verde aprovou o plano de desligamento das usinas nucleares na Alemanha proposto pela chanceler alemã Angela Merkel. Originalmente, o partido defendia o desligamento de todas as centrais nucleares já em 2017. A lei será votada no Parlamento alemão na quinta-feira, e a decisão dos Verdes não influi no resultado, já que uma maioria parlamentar para aprovação da medida já está assegurada. Atualmente, oito das 17 usinas nucleares do país estão desativadas e não voltarão a funcionar. Os nove reatores restantes serão desativados gradualmente até 2022.No encerramento do congresso especial do partido neste sábado, os Verdes afirmaram, entretanto, que vão "continuar trabalhando com todas as forças para que a última usina nuclear seja desligada da rede o mais rápido possível, inclusive claramente antes de 2022." Os Verdes também reivindicam que a desistência do uso de energia nuclear seja escrita na Constituição alemã, para que se torne irrevogável. O governo de coalizão de Merkel havia originalmente votado em 2010 pelo prolongamento da vida das 17 usinas nucleares da Alemanha até 2040. Mas depois o desastre de Fukushima, em março deste ano, obrigou o governo a rever sua posição.Controvérsias internasEnquanto a maioria dos delegados do Partido Verde comemorou a decisão de Merkel de mudar a política energética, alguns membros mais ligados a movimentos antinucleares e a organizações ambientalistas desejam um "não" do partido ao plano do governo. Mas ao final da reunião, prevaleceu a coerência. "Depois de décadas de luta, conseguimos uma vitória real", disse a presidente dos Verdes, Claudia Roth. O líder da bancada do partido no Parlamento, Jürgen Trittin, vê o "sim" do seu partido como uma vitória definitiva. "Este é um dia histórico. Não há mais nenhum partido pró-energia nuclear na Alemanha".Algumas reivindicações centrais dos Verdes, no entanto, não farão parte da lei que será votada na quinta-feira. Entre elas, estão o fechamento do depósito de resíduos nucleares de Gorleben e a elevação dos padrões de segurança para usinas nucleares.Reações da oposiçãoO secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU), Hermann Gröhe, celebrou a decisão dos Verdes, mas se manteve cético. "É claro que fiquei contente com a decisão, mas uma andorinha só não faz verão", disse. Gröhe argumenta que o partido ambientalista ainda terá que mostrar se está a "assumir responsabilidades" ou se "continuará a incentivar protestos", negando seu aval a "medidas pouco populares, como construção de novas redes elétricas ou de usinas de gás mais eficientes", necessárias de agora em diante, segundo o conservador.O deputado social-democrata Thomas Oppermann também comemorou a decisão. "Foi uma prova de fogo para a capacidade de governar dos Verdes. O resultado é um bom sinal para um trabalho de cooperação entre verdes e social-democratas a partir de 2013", disse.O líder do partido A Esquerda, Gregor Gysi, criticou o voto dos Verdes. "Tecnicamente falando, seria possível desativar as centrais nucleares já em 2014 ou em 2017, como os Verdes queriam. Mas como eles concordaram em votar a favor do desligamento em 2022, só para mostrar que podem se coligar com os conservadores, acabam tolerando vários anos nos quais a população continua sob o risco desnecessário de um desastre nuclear como o de Fukushima", lamentou. Fonte: Deutsche Welle