Na sexta-feira passada, dia 3, a Organização das Nações Unidas promoveu em São Paulo o evento oficial do “Ano Internacional das Florestas” no Brasil. O encontro também oficializou o início da contagem regressiva para a Conferência Rio + 20 que acontece no ano que vem no Rio de Janeiro.Entre os convidados, estava lá, por exemplo, o ilustre cientista brasileiro Paulo Nogueira Neto, conhecido como o primeiro ambientalista do país. Estavam lá pesquisadores, empresários, ativistas sociais e executivos de grandes empresas e instituições financeiras.Estavam lá também dezenas de blogueiros e jornalistas “ambientais”.O tema “Florestas”, aliás, tem uma apelo muito forte para a mídia. Afinal, estamos na eminência de um novo “round” no embate sobre o novo Código Florestal.Bem, e depois de uma tarde de palestras e muitos “compromissos” em favor da sustentabilidade no planeta constatei que o assunto precisaria de muito mais que algumas horas para ser debatido.O problema é que para haver um debate precisaríamos de mais protagonistas na história. Eis a questão. Os representantes da indústria de base florestal não apareceram. Ou não foram convidados?Quase me esqueci, mas a ladainha do “economize papel e salve o planeta”* estava lá também. Mas não tinha ninguém para dizer, por exemplo, que sem madeira não se vive (óbvio, não!?). Não tinha ninguém para explicar aos jovens blogueiros que um hectare de floresta plantada preserva até dez hectares de mata nativa.Simples, não é mesmo? Pois é. Muitas vezes vejo que a indústria de base florestal não encontrou sua verdadeira identidade. Não quer ser só indústria porque depende das florestas mas também não quer ser só floresta porque, na verdade, é indústria.Imagino o que um executivo da área de sustentabilidade dessas empresas vai pensar, ao ler esse artigo: “não dá para separar uma coisa da outra: somos uma indústria que utiliza recursos renováveis de forma exclusivamente sustentável".Exatamente! A eficiente indústria brasileira de base florestal é responsável pela geração de 5 milhões de empregos. Mão de obra qualificada na cidade e no campo. Esse setor da economia possui 6,5 milhões de hectares de florestas plantadas e mantém, em áreas que serão eternamente preservadas, outros 4 milhões de hectares de florestas nativas.**A indústria de base florestal no Brasil faz muito, mas muito mesmo, pelo meio ambiente.Ao plantar 30 mil hectares de florestas sustentáveis, em um ano, uma empresa está 1) retirando muito carbono da atmosfera; 2) gerando emprego e distribuindo renda; 3) preservando áreas nativas, (em média 40 porcento da área total), 4) recuperando solos e áreas degradadas e 5) muitos eteceteras...Um projeto de recuperação ambiental, coordenado por uma das importantes e necessárias ONGs espalhadas pelo país, terá bastante dificuldade de recuperar, em um trabalho essencial à vida, 2 mil hectares de mata nativa, no mesmo período.A apatia da indústria de base florestal é real. E me assusta! A ladainha do “economize papel e salve o planeta” vai se multiplicando nas consolidadas redes sociais através da ação, muito mais eficaz, de comunicadores engajados, mas frequentemente desinformados.Culpa deles? Nem minha.*O autor é a favor do consumo consciente e do não desperdício. Mas economizar papel, no Brasil, não deveria ser um conceito alinhado à preservação ambiental. Diferente do que acontece em muitos países do hemisfério norte, toda folha de papel de impressão fabricada no Brasil é produzida com celulose proveniente de florestas plantadas e certificadas. Durante o período em que essas florestas crescem, as árvores retiram carbono da atmosfera e recuperam o solo onde estão plantadas. Quando são colhidas, deixam no mesmo solo, resíduos orgânicos que reciclam os nutrientes e preparam a terra para um novo plantio ou regeneração natural da planta. O autor é contra, portanto, à ladainha “economize papel e salve o planeta” no Brasil e defende: evite desperdícios, mas se precisar, imprima tranquilo!** Dados aproximados, mas que podem ser consultados no recém divulgado Anuário Estatístico da ABRAF, Associação Brasileira de Produtores de Florestas PlantadasFonte: Robson Trevisan, Painel Florestal