Candidata do partido Verde alemão ao governo de Berlim, Renate Künast considera "um sucesso para os verdes" o fato de que a Alemanha desativará suas usinas nucleares até 2022.O anúncio oficial desse plano foi feito anteontem pela chanceler (premiê) Angela Merkel. Porém, há duas semanas, quando Künast falou à reportagem, a medida já era dada como certa.A eleição na capital alemã será em setembro. Pesquisas recentes apontam que Künast, 55, tem 20% das intenções de voto, contra 32% do atual chefe de governo da capital alemã, Klaus Wowereit (social-democrata). Em 2001, ela havia obtido 13,1%.O partido vive hoje seu melhor momento. Pela primeira vez, conquistou o governo de um Estado (Baden-Württemberg, em março). Também pela primeira vez numa eleição, ultrapassou o tradicional partido de Merkel, a União Democrata-Cristã (em Bremen, no último dia 22).Leia a seguir trechos da entrevista de Künast à Folha.Energia Nuclear O fato de que agora Angela Merkel tenha de implementar um plano para desmantelar suas usinas é um sucesso para os verdes. Lutamos por isso. No ano passado, ela tinha dado às usinas uma média de 12 anos de sobrevida.Agora, por causa [do acidente com a usina nuclear] de Fukushima [no Japão], está revertendo a decisão. ANGRA 3 O Brasil toma suas próprias decisões. Cabe ao povo e ao governo brasileiros decidir se querem ou não energia nuclear. Mas queremos que a Alemanha seja um exemplo de potência industrial que mostre que há alternativas melhores, mais saudáveis, mais baratas e mais seguras.Assim, é inaceitável que a Alemanha coloque uma garantia financeira para Angra 3. Isso é dinheiro do contribuinte. E 80% dos alemães têm a opinião de que devemos nos livrar da energia nuclear. Quando fizermos parte de um governo federal em 2013, deixaremos de dar esse tipo de garantia.Crescimento Verde Um pouco [do crescimento recente dos verdes na Alemanha pode ser atribuído a Fukushima] sim, mas não tanto. O Partido Verde foi fundado com base na luta antinuclear. Tem crescido aos poucos, a cada eleição e em vários níveis.Sem Radicalismo A sociedade mudou. Passou a questionar a energia nuclear, os organismos geneticamente modificados, o uso de pesticidas. As pessoas se deram conta de que as soluções da era industrial para energia, produção de alimentos, transporte, a dependência do petróleo causam problemas demais e devem ser mudadas.Sem ser completamente radical, o Partido Verde mostrou que são possíveis soluções que combinam questões ecológicas e econômicas. Por isso crescemos.Berlin do FuturoQueremos atrair indústria moderna para, junto com um novo sistema de impostos, construir uma nova imagem para Berlim, que não é a de ser sexy, pois ninguém vive de ser sexy [trata-se de uma crítica à famosa frase do atual governante: "Berlim é pobre, mas sexy"].Berlim deveria ser mundialmente conhecida como a cidade que mostra que alternativas existem. Um modelo de como uma cidade do século 21 lida com problemas de educação, de mudança climática, de empregos e de indústria sem criar maiores problemas para o Orçamento. Esse é o debate.[A frase de Wowereit] é boa para ser dita em festas. Mas Berlim quer emprego, educação e uma chance de uma vida melhor.Política de ImigraçãoEspecialmente por causa dos imigrantes, precisamos dar um impulso à educação. A outra coisa é dar ao imigrante mais possibilidades de entrar na sociedade, impedir que eles vivam num nicho.Precisamos de uma "cultura das boas-vindas". Isso significa: dar a eles educação, dar a oportunidade de ter empregos em indústrias ou no serviço público. Apenas quando se mostra às pessoas que há um plano, que há uma chance, elas avançam. Carolina Vila-NovaFonte: Folha de S. Paulo