Crise da energia atômica pode permitir que energias renováveis se desenvolvam no país Após o desastre ocorrido na usina atômica de Fukushima em março, o Japão deve repensar a sua política nuclear, e as energias renováveis podem ser uma saída para o atual conflito energético do país. Nesta terça-feira (10), o primeiro-ministro Naoto Kan declarou que o governo deve iniciar um novo plano de energia de longo prazo, abandonando as propostas de construir 14 novos reatores nucleares e aumentar a capacidade de energia atômica. De acordo com Kan, o país deve focar-se agora em promover a expansão da energia renovável, como a solar, a eólica e a biomassa. “A política energética básica atual prevê que mais de 50% do total do suprimento de eletricidade virá da energia nuclear, enquanto 20% virá da energia renovável em 2030. Mas esse plano básico precisa ser revisto do zero depois deste grande incidente”, indicou. “Nós garantiremos totalmente a segurança para a geração de energia nuclear e faremos esforços para promover mais a energia renovável”, disse ele, lembrando que o setor de renováveis do Japão está atrasado se comparado ao da Europa e dos Estados Unidos. De fato, as energias renováveis ainda não se desenvolveram muito no Japão. Para se ter uma ideia, atualmente 24% da energia do país provém de fontes atômicas, enquanto apenas 0,4% deriva de geradores eólicos, por exemplo. Yoshinori Ueda, diretor da Associação Japonesa de Energia Eólica (JWEA em inglês), comentou a declaração do primeiro ministro Kan, garantindo que acredita que a crise nuclear pode permitir que a energia eólica se desenvolva em longo prazo. Segundo a JWEA, a capacidade instalada de energia eólica pode saltar dos 2,3 GW atuais para 11,1 GW em 2020, e para 50 GW em 2050. No entanto, devido à catástrofe ocorrida em Fukushima, o diretor espera que o governo traga as metas de energia eólica de 50 GW para antes de 2050. Ueda chegou a sugerir que a meta pode ser atingida antes de 2040. As estimativas atuais da JWEA indicam que dos 50GW, 25 GW seriam gerados por turbinas onshore e 25 GW por usinas offshore. Entretanto, 17,5 GW dos geradores offshore teriam que ser instalados em bases flutuantes que reduziriam o risco de destruição em caso de terremotos e tsunamis, mas esses alicerces ainda não foram testados. Das 1742 turbinas eólicas que o Japão possui atualmente, apenas uma foi danificada pelos terremotos ocorridos em março. Outras duas tiveram que ser desativadas temporariamente por estarem localizadas dentro de um raio de 30 quilômetros da usina de Fukushima. Apesar de atualmente estar substituindo alguns reatores nucleares por usinas de gás natural, o diretor da JWEA espera que em longo prazo a energia eólica se beneficie com a mudança energética pretendida pelo Japão. No entanto, Ueda insiste que para que o setor se desenvolva significativamente, o país terá que derrubar barreiras e criar estímulos tarifários que incentivem o investimento na indústria de energia eólica.Autor: Jéssica Lipinski - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais