Rossi e ministro francês criticam controle de preço das commodities

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O ministro da agricultura da França, Bruno Le Maire

O ministro da agricultura da França, Bruno Le Maire, esteve reunido hoje com o ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi. O principal ponto da pauta de discussões foi o plano de ação que os franceses levarão à reunião de ministros de agricultura do G-20, que ocorrerá nos dias 22 e 23 de junho, em Paris.

Le Maire disse que esse plano de ação, dividido em quatro grandes pontos, envolve maior transparência no controle de estoques, mais cooperação entre os países do G-20 na regulação do mercado de produtos agrícolas, apoio a países pobres e, principalmente, combate à especulação nos mercados de alimentos. Rossi disse que o Brasil apoia a proposta e elogiou o fato de a França ter se posicionado contra qualquer mecanismo de regulação de preços agrícolas. O ministro brasileiro estará presente na reunião do G-20.

Segundo Le Maire, é necessário construir rapidamente um novo mecanismo global de maior ajustamento na produção agrícola, pois há perigos bastante eminentes. "Hoje, existem dois riscos. O primeiro é o perigo de uma bolha de especulação sobre os produtos agrícolas. O segundo é o risco de uma produção insuficiente, que pode gerar revoltas causadas pela fome", afirmou.

Para o ministro francês, os países que são os principais produtores mundiais precisam se unir para combater esses problemas, inclusive oferecendo apoio aos países menos desenvolvidos. "A inflação sobre os produtos alimentares é um problema para o planeta todo", comentou.

"Nosso objetivo é construir com os amigos brasileiros e do G-20 uma melhor organização global na agricultura", disse Le Maire. Em busca de apoio para o plano de ação francês, ele viajará também à China e aos Estados Unidos antes da reunião de junho. O ministro francês elogiou a transparência brasileira sobre informações dos estoques. "É um modelo a ser seguido", afirmou.

Conforme Le Maire, mais acesso a informações sobre estoques e produção permitiria a realização mais rápida de ações articuladas contra o desabastecimento e combateria também a especulação com alimentos. "O que queremos é que não aconteça de novo o que houve m 2010, quando o preço do trigo subiu de 110 euros, em agosto, para 300 euros, em dezembro", explicou.

Rossi disse apoiar a proposta francesa para afinar a regulação dos mercados agrícolas. "Concordamos com quase todos os pontos", afirmou o ministro brasileiro. Mas Rossi ficou especialmente satisfeito com o esclarecimento, por parte dos franceses, de que eles não concordam com mecanismos de controle de preços das commodities. "O controle de preços pode levar a catástrofes. A melhor forma de reduzir a volatilidade dos preços é aumentar a produção", declarou.

Le Maire argumentou que a França defende a regulação dos mercados financeiros, e não o controle de preços das commodities. "Entendo a preocupação do Brasil, porque a Europa teve esse controle por muitos anos. Mas tanto o Brasil como a França se opõem a qualquer controle de preços", garantiu o representante da França.

"É enorme a responsabilidade política nessa área. Não queremos passar na agricultura o que já enfrentamos com o setor imobiliário", disse Le Maire, referindo-se à crise no setor imobiliário dos Estados Unidos, que explodiu na virada de 2007 para 2008, contaminando economias de todo o mundo. "Se não regularmos o mercado agrícola, será cometido o mesmo erro que ocorreu com o mercado financeiro", declarou o representante francês.

O tom afável de Rossi e Le Maire em entrevista coletiva realizada hoje não escondeu, entretanto, que há pontos de divergência que ainda estão longe de serem superados. Questionado se a política europeia em questões sanitárias e fitossanitárias não representa, na prática, uma barreira a produtos brasileiros, Le Maire refutou a hipótese e defendeu que as normas precisam ser seguidas por todos. "Temos regras muito rigorosas, inclusive para os produtores europeus. Se não houver isso, não haverá comércio equitativo. É preciso haver regras recíprocas", disse.

O ministro francês rebateu críticas à política de subsídios europeia, dizendo que a maior parte dos recursos está voltada atualmente para a preservação de questões ambientais. Sobre os transgênicos, Le Maire disse que "Brasil e União Europeia fizeram escolhas políticas diferentes nessa área" e que tais escolhas precisam ser respeitadas.



Fonte: Agência Estado

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