Brasil prevê ampliar energia nuclear

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O governo federal prevê a construção de quatro novas usinas nucleares

no país até 2030, como uma das garantias para o fornecimento de energia elétrica – atualmente são duas em funcionamento e uma em construção, Angra 3, todas no Rio de Janeiro.

Ainda não há informações precisas sobre onde serão instalados os empreendimentos e qual será o investimento necessário, mas, para a entidade que reúne técnicos e pesquisadores do setor nuclear, a Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), o governo deveria investir recursos na prospecção de urânio, a fim de encontrar novas reservas e garantir a autossuficiência da matéria-prima.

Nesta semana, o Brasil ganhou destaque na mídia internacional ao mediar, junto com a Turquia, um acordo para que o Irã aceitasse fazer o enriquecimento de urânio fora do país, como forma de demonstrar que não pretende fazer uso pacífico do material.

A grande discussão é sobre o grau de enriquecimento do urânio. No Brasil, para gerar energia, o urânio é enriquecido a 3%. Em algumas pesquisas científicas, o nível chega a 20%, segundo a Aben. Também é de 20% o grau de enriquecimento de urânio que o Irã quer para suas pesquisas. A comunidade internacional, no entanto, ficou preocupada, uma vez que o urânio enriquecido a 95% é usado para fabricação de bomba atômica.

No Brasil – O Plano Nacional de Eletricidade 2030 (PNE 2030), lançado em 2006 e atualizado em 2008, prevê a abertura de quatro usinas para geração de energia elétrica nuclear. O documento, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, é uma indicação de como o governo deve investir para garantir a energia para o país no longo prazo.

A EPE informou ao G1 que a primeira das quatro usinas está em fase final de estudos e deve ser construída no Nordeste do país. Quatro estados se candidataram para sediar a nova usina: Bahia, Alagoas, Sergipe ou Pernambuco. O governo não confirmou qual estado pode receber a próxima usina.

Segundo dados da Eletronuclear, empresa da Eletrobras que cuida das usinas nucleares, duas das quatro usinas serão no Nordeste e custarão cerca de R$ 10 bilhões cada. A primeira deve começar a operar em 2019 e a segunda em 2021. Segundo a Eletronuclear, “a faixa litorânea entre Salvador e Recife é considerada de interesse para a construção de duas usinas”.

O governo destaca que só tem conhecimento do urânio existente no Brasil em 25% do solo do país. Mesmo assim, tem a sétima maior reserva mundial. Perde para Austrália, Cazaquistão, Rússia, África do Sul, Canadá e Estados Unidos. As reservas conhecidas de urânio no país estão distribuídas entre Bahia, Ceará, Paraná e Minas Gerais.

Só o governo federal manipula o urânio no Brasil, por uma determinação da Constituição Federal. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) faz a extração do urânio na única mina em operação no Brasil, chamada de Caetité, na cidade de Lagoa Real (BA). A INB também faz o refinamento do urânio. A única usina de enriquecimento de urânio no Brasil fica na cidade de Rezende (RJ) e também é controlada pela INB. Depois do enriquecimento, o urânio vai para as usinas de Angra 1 e Angra 2, no Rio, para a geração de energia elétrica. Cerca de 3% da energia do país provêm dessas usinas, conforme dados do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Prospecção – A última prospecção feita pelo governo para encontrar urânio ocorreu em há 40 anos. “O fato de apenas 25% do território nacional ter sido objeto de prospecção de urânio e a expressiva elevação das reservas no final dos anos 70, decorrente dos investimentos em prospecção então realizados, sugere que o tamanho das reservas brasileiras de urânio pode ser ampliado com novos trabalhos de prospecção e pesquisa mineral. Há mesmo indicações de recursos adicionais que são estimados de 800 mil toneladas, e que, se confirmados, quadruplicariam as reservas conhecidas”, diz o texto do PNE.

Para a Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), o governo deveria investir na prospecção de urânio como fez com o petróleo, quando encontrou o pré-sal, como é chamada a camada de óleo em águas profundas, a fim de garantir a autossuficiência no caso da ampliação da energia nuclear.

“Vamos ter que procurar urânio como fizemos com o petróleo. É a mesma prospecção, gasta-se muito dinheiro e o retorno é incerto. Mas achamos que essa é uma tarefa para ser empreendida imediatamente. O Brasil está deitado eternamento em berço esplêndido, mas as reservas não são tão grandes assim. Está na hora de formar geólogos uraníferos, para procurar o urânio nos confins do Brasil”, afirma o engenheiro nuclear Guilherme Camargo, presidente da Aben.

Fonte: Mariana Oliveira/ G1


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