O mundo terá que modificar seu parecer sobre a energia nuclear depois da crise em curso na central de Fukushima 1 no Japão, declarou nesta segunda-feira, em Viena, o diretor da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) Yukiya Amano."A crise em Fukushima Daiichi tem consequências enormes para a energia atômica e deixa-nos confrontados a um desafio maior", disse ele num discurso de introdução a uma reunião da Convenção sobre a Segurança Nuclear (CSN), que começa nesta segunda-feira em Viena e vai até 14 de abril."Não podemos retomar uma visão rotineira" após um tal acidente, acrescentou.A central de Fukushima 1 foi severamente destruída pelo terremoto e tsunami gigantes que varreram o nordeste do Japão em 11 de março. Operários, bombeiros e soldados derramaram dezenas de milhares de toneladas de água nas instalações dia e noite para impedir que as barras de combustível nos reatores entrem em fusão.Se a prioridade consiste atualmente em estabilizar os reatores, também é preciso "começar também o processo de reflexão e avaliação" sobre o uso civil em geral do átomo, disse o chefe da AIEA.O acidente foi motivo de "uma viva discussão sobre o fato de saber se deveríamos ou não desenvolver a energia nuclear", acrescentou o chefe da autoridade da segurança nuclear chinesa, Li Ganjie, que preside a reunião da CSN.Numerosos países estão em vias de reavaliar sua política ou seus projetos em matéria de energia nuclear, destacou Amano. No final de 2010, mais de 60 Estados informaram à AIEA, que têm como missão promover o uso pacífico e seguro do átomo, que pensavam em colocar em prática programas de energia nuclear, e quase a totalidade do conjunto dos 29 países dotados de tais programas indicaram querer ampliá-los.Segundo Amano, os principais fatores em favor da energia atômica - aumento da demanda mundial de energia, preocupações com as mudanças climáticas, e volatilidade dos preços do petróleo ou do gás - "não mudaram após Fukushima."Mas "as preocupações de milhões de pessoas no mundo a respeito da energia nuclear devem ser levadas a sério", reconheceu."Uma adesão completa aos critérios de segurança internacionais mais rigorosos e uma completa transparência, nos bons e nos maus momentos, são vitais para restabelecer e manter a confiança da população na energia nuclear", estimou.Na trilha da crise japonesa, as nações da União Europeia decidiram realizar testes de resistência em suas centrais.A Convenção sobre a Segurança Nuclear, ratificada pelo conjunto de países que dispõem de centrais nucleares, entrou em vigor em 1996, após as catástrofes de Three Miles Island, nos Estados Unidos, e de Chernobyl, na Ucrânia.Ela visa melhorar a segurança nos reatores eletronucleares em uso. Seus especialistas se reúnem a cada três anos sob o patrocínio da AIEA. Fonte: AFP