O verdadeiro custo da energia nuclear em debate

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O temor de uma nova Chernobyl no Japão relançou o debate sobre

O temor de uma nova Chernobyl no Japão relançou o debate sobre a energia nuclear, e seu suposto baixo custo de produção é questionado por vários estudos e pelos ecologistas que consideram que o verdadeiro preço do átomo está subestimado.

Segundo o Birô Europeu de Estatísticas Eurostat, a conta de luz do consumidor francês (três quartos é de origem nuclear) custa 25% a menos que o preço médio da União Europeia.

Mas geralmente se questiona a relação entre a energia nuclear e a eletricidade barata. Na Bélgica, que tem um dos mais altos índices de energia nuclear (52%) na Europa depois da França, o preço é dos mais altos do continente.

Os preços da eletricidade na França "se devem, em grande parte, ao fato de o investimento (no parque nuclear) estar amortizado", afirmou Jean-Marie Chevalier, professor da Universidade Paris-Dauphine.

Os 58 reatores franceses foram construídos há cerca de 25 anos em média e a companhia de eletricidade, EDF, rentabilizou seu investimento desde então.

Mas, segundo Chevalier, as atuais tarifas de eletricidade, fixadas pelo governo, estão "artificialmente bloqueadas e não cobrem os custos da renovação do parque".

A EDF estima que o custo completo nuclear francês, da construção ao desmantelamento das centrais, é de 46 euros o megavatts/hora. Quarenta e oito por cento a mais que o preço pago atualmente pelo consumidor (30,9 euros/MVh), segundo cálculo da Comissão de Regulação da Energia.

O custo da eletricidade que produz o reator de nova geração EPR de Flamanville (norte) estaria em mais de 60 euros/MWh.

"Existe uma falta de transparência e honestidade neste assunto", denuncia Sophia Majnoni, da associação ecologista Greenpeace.

"O nuclear necessita de apoio do Estado para existir", assegura, antes de estimar que os "custos nunca se refletiram nos Kilovatts/hora elétrica" (como a pesquisa científica) enquanto que outros estão "subestimados", como os depósitos de dejetos.

O custo do projeto do depósito de dejetos nucleares em Bure (nordeste), estimado em 15 bilhões de euros, poderá alcançar os 35 bilhões, segundo fontes próximas.

Um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), de março de 2010, mostra que nenhuma tecnologia dispõe de uma vantagem econômica permanente.

A nuclear apenas é a energia mais competitiva quando os juros são baixos (5%). Caso contrário, as usinas de carvão a superam, apesar da tributação de 30 euros/tonelada pelas emissões de CO2.

As centrais nucleares precisam de investimentos colossais - da ordem de 5 a 6 bilhões de euros por um EPR - que representam a maior parte do custo da eletricidade produzida.

"É que algumas experiências não foram amimadoras em termos de custo e do calendários de construção, como a central (EPR de Areva) na Finlândia", ressaltavam os pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) em um estudo atualizado em 2009.

Eles concluíram que o custo da energia nuclear é mais alto do que o do gás ou do carvão nos Estados Unidos.

Nos países em que as energias fósseis (petróleo, gás, carvão) são abundantes e onde não há uma tarifa elétrica fixada pelo Estado, a nuclear é, na realidade, muito menos competitiva.

Nos Estados Unidos, a exploração do gás de xisto fez com que a energia nuclear não seja competitiva, segundo o diretor da EDF.

"A solução mais sábia é diversificar nosso parque elétrico apostando em diferentes fontes energéticas porque não estamos seguros que a vantagem dada a uma outra se mantenha em longo prazo", afirma Chevalier.



Fonte: AFP

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