A atual configuração da economia global - com a crise na zona do Euro aliada à escassez de capital, a forte atuação das companhias asiáticas e a constante ascensão dos emergentes - pode estimular uma onda de fusões e aquisições no setor de energia renovável, com as companhias em busca de oportunidades em novos mercados. Um estudo realizado pela Ernst & Young, intitulado Country Attractiveness Indices Report (em português, Relatório de Índices de Atratividade por País) descreve quais são os caminhos que levam a essa tendência. “Os sinais mostram que 2012 será desafiador devido à redução da liquidez e à retirada contínua de incentivos governamentais nos países mais desenvolvidos” relata Gil Forer, líder global de Cleantech da Ernst & Young. A consultora acrescenta que, na contramão, os mercados emergentes ainda correm no sentido do desenvolvimento de sua segurança energética, com o compromisso dos governos para os investimentos em fontes renováveis. A restrição de capital, de acordo com as projeções do relatório, será um agente fundamental que pode estimular transações como a criação de joint ventures e parcerias - que devem desencadear um novo desenho do setor de energia renovável. Um ranking que compara o mercado energético de 40 países, levando em consideração sua infraestrutra e adequação às tecnologias de ponta nas áreas de renováveis dá um panorama do que vem se tornando o setor. Colocação em 2011 O Brasil garantiu mais uma vez seu posicionamento entre os 10 países com cenário favorável à energia renovável, garantindo pela segunda vez a décima posição. Entre os pontos destacados no estudo em favor da economia brasileira estão a liberação de financiamentos por parte do BNDES para projetos na área. A China continua à frente, garantindo o melhor desempenho, no topo da tabela apesar dos sinais “de que o rápido crescimento do índice de energias renováveis começa a se estabilizar”. Por outro lado, as empresas chinesas começam a olhar mais para a Europa como caminho para conquistar maior participação no mercado mundial - principalmente com a capacidade desses players de praticar preços mais baixos. Já o Estados Unidos conseguiram se manter no segundo lugar por conta da indústria eólica ter instalado 7 GW de capacidade em 2011. Como não se sabe se os subsídios dados por lá permanecerão no próximo ano, o ritmo do setor norte-americano é incerto neste ano. Na Alemanha, o esforço eliminar a energia nuclear fez com que novos projetos fossem financiados, o que resultou em uma expansão de 7GW em energia limpa, garantindo ao país europeu o terceiro lugar. Enquanto isso, a Índia permaneceu em quarto lugar, com um comportamento mais cauteloso em relação aos investimentos em geração solar, apesar dos 4MW acrescentado à rede. O Reino Unido subiu uma posição, do sexto para o quinto lugar, impulsionado por vários “projetos eólicos offshore”, pontua o estudo, que cita um projeto que estará entre os maiores do mundo na Escócia, de 1.500 MW. Além disso, os aportes em biomassa continuam. Também são destacados, no documento, o potencial a médio prazo para energia solar e eólica no norte da África e no Oriente Médio. Fonte: Jornal da Energia por Por Fabíola Binas