A geração interna hidráulica responde por montante superior a 74% da oferta. Somando as importações, que essencialmente também são de origem renovável, pode-se afirmar que aproximadamente 86% da eletricidade no País é originada de fontes renováveis.Depois do susto do apagão, em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o País resolveu ampliar os investimentos, não só em geração, mas também em transmissão de energia. As obras são tocadas por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Nós já fizemos a lição de casa no que diz respeito aos investimentos em geração de energia elétrica com menor emissão de gases do efeito estufa", afirma o professor Edson Bazzo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Coordenador de estudos sobre a utilização da palha de arroz como fonte de geração, ele, no entanto, diz que a geração nuclear "tem que estar na mesa de discussão como alternativa permanente".O Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial em investimentos em energias limpas, segundo o relatório Who´s Winning the Clean Energy Race? (Quem está vencendo a corrida pela energia limpa?). O País subiu uma posição em 2010, tendo recebido US$ 7,6 bilhões e gerado cerca de 14 GW em renováveis. Dos investimentos, 40% foram destinados para os biocombustíveis, 31% para eólica e 28% para outras fontes.Conforme o documento, o País também ocupa a 6ª posição na previsão de crescimento nos próximos cinco anos. Destaque para a produção de etanol (36 bilhões de litros), a geração elétrica com biomassa (8 mil MW), e as pequenas centrais hidrelétricas (5 mil MW). Entre as grandes metas do País estão a geração de 1.805 MW por meio de fontes eólicas até 2012 e alta do uso de biodiesel.O fato de o Brasil produzir eletricidade a partir de fontes limpas lhe dá vantagem competitiva mundial. "Entretanto, não podemos nos acomodar, porque estamos sujando nossa matriz energética e claramente temos oportunidades de diversificação de nossas fontes, com mais investimentos eficiência energética e em energias renováveis modernas, como a eólica, solar e solar-térmica", avalia Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.Enquanto o governo avança na construção de usinas nos rios da Amazônia - o Tapajós é a bola da vez -, a EPE atualiza seu prognóstico de demanda, que deverá saltar de 472 mil GWh, em 2011, para 736 mil GWh, em 2021. O crescimento médio anual da demanda total de eletricidade (que inclui consumidores cativos, consumidores livres e autoprodutores) será de 4,5% ao ano no período, passando de 472 mil gigawatts-hora (GWh) em 2011 para 736 mil GWh em 2021.Fonte: Diário do Nordeste por SAMIRA DE CASTRO