Preservar o meio ambiente lucrando. Essa é a tendência que se mostra no horizonte de empresas de diversos segmentos: aproveitar seus resíduos de produção para gerar energia. Trata-se de uma proposta desenvolvida em outros países e que vem ganhando força e tomando corpo no Brasil. Empresas estão implantando centrais de cogeração de energia em suas unidades ou buscam uma nova fonte de renda com a venda de seus resíduos industriais. Cascas de arroz, restos de madeira, serragem, cascas de árvore, bagaço e cavacos são o alvo desse mercado promissor na região Sul do País, que visa a um bem fundamental e cada vez mais valioso, a energia. O que vem sendo feito há muitos anos com a cana-de-açúcar para a geração de álcool combustível e energia elétrica amplia-se para outros tipos de produtos. Ultrapassadas as fases de idealização e de estudos de viabilidade, grandes projetos estão sendo fechados e envolvem empresas como a Camil Alimentos (Rio Grande do Sul), a Urbano Agroindustrial (Santa Catarina), ambas de arroz, madeireiras como a Battistella (Santa Catarina), e serrarias da região. No Rio Grande do Sul existem também usinas de geração de energia por biomassa sendo implantadas por investidores estrangeiros, como a Companhia Geral de Distribuição Elétrica (CGDE), de Portugal, em conjunto com a Koblitz. No ano passado, a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul assinou um programa de uso da biomassa, o Protocolo de Intenções, envolvendo o Governo do Estado, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a CGDE e a Koblitz. Prevê-se a implantação de 10 usinas termelétricas, para produção de energia a partir de resíduos de madeira e casca de arroz, num total de 110 MW. Há alguns anos, a região apresentava uma topografia agressiva e um solo pobre. Com o incentivo ao reflorestamento, nos últimos dois anos o local se tornou importante pólo madeireiro, com o “crescimento” das oportunidades oferecidas pelo pinho. Em média, apenas 33% da madeira extraída é aproveitada na forma de tábuas é aproveitada na forma de tábuas, produto final a ser comercializado. Os resíduos do corte mais a serragem não t6em finalidade útil e muitas vezes são jogados em uma vala e queimados, emitindo grandes quantidades de carbono na atmosfera. Com a geração de eletricidade, esses resíduos serão vendidos gerando renda para as madeireiras e, depois de devidamente processadas através de uma tecnologia, o que era madeira se transforma em energia, a compensar a queima de combustível fósseis poluentes. Envolve também resíduos florestais, numa proporção de 30%, para 70% de madeira. As empresas interessadas irão pagar R$ 5,00 pela tonelada do resíduo e, segundo Luiz Otávio Koblitz, Diretor Superintendente do grupo Koblitz, o custo da energia gerada será de R$ 64,00 o MWh. Fonte: CENBIO Notícias