A avaliação é do diretor financeiro e de relação com investidores da companhia, Eduardo Sattamini. No entanto, o diretor frisou que a participação não é certa. “Nossa participação depende de algumas questões, como o preço teto da venda de energia”, disse Sattamini. “Alguns players acreditam que o preço da eólica já chegou ao seu nível mais baixo. Nós estamos esperando que no próximo leilão seja mais alto”, completou. A companhia também analisa participar com biomassa, mas, ao contrário da eólica, a participação seria em parceria com outras companhias. O diretor destacou que 83% da geração da Tractebel são oriundos de fontes renováveis, 81% referentes à hidroeletricidade e 2% provenientes de energia eólica, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). A companhia vai construir cinco parques eólicos quatro no Ceará, Fleixeiras I, Guajiru, Mundaú e Trairí, e um no Piauí, Porto do Delta, com capacidade total de 145 megawatts e investimentos previstos de R$ 626 milhões. Apenas dois parques, Guajiru e Trairí receberam a licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para o início das obras. No entanto, as obras do parque de Trairí foram interrompidas pelo Ministério Público. “Eles alegam que o parque vai atrapalhar o turismo, por impactar uma duna, mas o projeto já havia sido modificado para evitar este problema”, disse Sattamini. “Estamos agindo pra retomar a construção. Mas, enquanto isso, Guajiru aumentou o ritmo de construção”. O diretor explicou que os quatro parques do Ceará, que já têm as licenças ambientais, tem previsão para iniciar a operação no início de 2013. Já a construção do Porto do Delta vai depender das licenças ainda pendentes. Sattamini ressaltou ainda que a usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, Rondônia, está dentro do cronograma e prevista para entrar em operação no último trimestre de 2012. Já a linha de transmissão do Rio Madeira, que vai escoar a produção na região, embora esteja atrasada deverá ficar pronta em novembro deste ano. A previsão inicial era fevereiro de 2012. “O linhão está dentro da expectativa do nosso controlador [GDF Suez]”, disse. A GDF Suez tem 50,1% do consórcio energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção, manutenção e venda da energia a ser gerada em Jirau. A participação deve ser transferida para a Tractebel no fim deste ano, segundo Sattamini. (Marta Nogueira /Valor)